qualquer coisa grite meu nome:

segunda-feira, 22 de março de 2010

dead people don't tell storys anymore

Eu odeio essas notícias das pessoas que morrem. Pode parecer besteira, porque morrer é natural, e é um dos meus assuntos preferidos até. Eu vivo falando disso. Mas eu vivo sabe, e eles não mais. E a maior parte das pessoas que morrem, são boas. E isso me corta o coração.
Um salve pra Freddie Mercury, Jim Morrison, Chico Science, Vera Verão, Brian Jones e Glauco.

barcelona, constantinopla e oxford.

adi e camila (L)
Depois a gente aprende, ah se aprende. A viver contente por ter tido na vida pessoas magníficas. Por todas as amizades verdadeiras, que duram para sempre. Por ter tido bons e bons momentos, regados com nada mais do que refrigerante (quem disse que se divertir é encher a cara)? Por ter sido criança quando ninguém mais seria, e jamais se envergonhar disso.

Coração Carnívoro Mastiga Novamente.

Eu moro no mesmo lugar que trabalho, no mesmo lugar em que toda minha família trabalhou e morou e morreu, um por um. A única alegria que eu tenho é ela. Ela que chega aqui e passa horas olhando os livros que vendo. São muitos livros. E toda vez que entra me faz a mesma pergunta, pra qual eu nunca tenho a resposta certa:

- Se um coração é carnívoro, alimenta-se do que?


Já quis responder-lhe que era das veias cavas; dos sentimentos roxos, ou céus sombrios; amigos perdidos nos bares, sofridos nos mares de lágrimas de veludo e sal. Mas a verdade é que eu não acho que ela compreenda nada disso. Eu mesmo não compreendo. Então o que faço é rir tenso e dizer-lhe que não sei. Ao que ela me olha de soslaio, meio triste até, e revida:

- Quando souber, mande-me a resposta dentro de uma garrafa. Um dia, estarei no mar e quando achar sua garrafa eu saberei que você conhece a resposta da pergunta da minha vida.

E então ela vai embora. Não imediatamente, não. Porque isso nunca faria sentido. Ela ainda fica um pouco por aqui e mais horas dentro de mim, mas de qualquer forma, ela não fala mais nada. Ela sabe que se falar qualquer coisa, a magia vai se perder. Ela sabe que se falar qualquer coisa eu nunca terei coragem de escrever nada na garrafa. Ela sabe. E todo dia depois que ela vai embora, procuro a resposta nos livros. Devorei Nerudas, Faustinos, Hemingways, Byrons, todos os grandes, tentando achar a resposta que ela perseguia. E nada aparecia no espaço vazio que era minha mente. Nada. Eu desistiria dos livros, na verdade. Se o sentido da vida não se encontra na poeira dos livros, então tudo se perdeu pra sempre.

Um dia, entretanto, meio que ao acaso encontrei uma encadernação simples, em couro verde, a capa comida pelo tempo, um enigma, sem nome. Sem nomes, sem autores. Mas aquilo era um sebo, de qualquer forma, não dá pra esperar muitas certezas em livros de sebos. E em livros de couro verde as coisas são ainda mais misteriosas, eu já tinha reparado. De qualquer forma, aquele era um exemplar muito velho e surrado de “Em busca do tempo perdido”, e tinha na contracapa uma dedicatória:

Amor, sublime amor.
Beleza vívida e maldita navalha do meu ser. Coração carnívoro que me devora, que se alimenta do meu viver. Você me tem, e eu jamais deixarei de ser seu. Simplesmente seu; eternamente seu; para todo o sempre...
Seu.


Foi então que todo o mundo da forma que o conhecia ruiu. Eu entendi do que o coração carnívoro se alimentava: de gente. Da gente, na verdade. Daqueles que são tolos apaixonados, mas vivos e apaixonados e felizes. Porque se amam de certa forma. E não vivem sozinhos em sebos malditos e cheios de livros e poeira e mortes de parentes nas costas cansadas do tempo. E eu fiz o mais sensato, arranquei aquela folha daquele livro e queimei todas aquelas palavras tristes, aquela antropofagia melodramática. E torci pra que eu nunca mais achasse garrafas vazias nas ruas. E pra que ela, que era minha alegria e minha vida, entrasse no sebo amanhã e não perguntasse coisa alguma, simplesmente dissesse que seu coração carnívoro se alimentava de mim.

sábado, 20 de março de 2010

my alligator heart beats again

“I tried to write sad words for you. Tried so hard to be stronger once in my lifetime. But I am no good with argumentations; I am no good with discussions; I am not like you at all. I don’t really know what I was doing at your side. We are so different, so apart. I were stupid, I am stupid. But now I am better, stupid and lonely, but better. Now I am caring only of myself.”

Um dia eu vou deixar você para todo o sempre. Deixar de verdade. Parar de carregar essas coisas tristes dentro de mim. Parar de levar um duplo seu na minha mente. Eu sei que pareço uma maníaca, e talvez o seja, mas eu não sou autodestrutiva. E por isso eu entendo que essa dor não me faz bem, não me leva a lugar nenhum.

Mesmo que eu ainda te ame, de certa forma, não me faz bem pensar em você. O que não deixa de ser triste. Sempre achei que seriamos amigos pra sempre, mesmo que não fôssemos mais um par, entende. Mas tudo bem, ficar refletindo sobre tudo isso é como ser um rato no labirinto, na roda da gaiola, não faz sentido e é perder tempo. E tudo que eu não posso agora é perder mais tempo, sabe.

Por fim, obrigado por todas as coisas que você me ensinou. As bandas e as pessoas que me apresentou. As músicas que você cantou, e escreveu só pra mim. Obrigada pelo amor que você me deu. Sim, um dia me deu, e eu não duvido, mesmo que agora ele tenha morrido. Porque um dia você foi uma parte bem grande de mim, e eu também fiz parte de você, eu também já fui você. E se agora já não sou mais, prefiro lembrar-me daquilo que passou rindo. Feliz porque pelo menos tivemos uma chance de viver um ano feliz e cheio de planos. Findo ano.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Saiba rir de si mesmo, seu bobo.

os beatles sempre serão doces crianças. para mim, pelo menos
Vivendo por aí, vendo as coisas que mudam todos os dias, eu aprendi tanto sobre o mundo e as pessoas. Em parte sei do que quase todas elas são feitas, e não as entendo em sua plenitude. Em parte me surpreendo com o movimento dos seus balanços, os homens e mulheres do mundo são todos ótimos bailarinos. Se não com palavras, com gritos, com gestos, ludibriam uns aos outros; quase ninguém é honesto.

Ah, mas eu não sei, na verdade, como dizer-lhes que devem ser diferentes. Que devem ser mais leves, mais soltos, menos exatos. Que devem respeitar os próprios limites. As pessoas se convencem de grandiosas besteiras e acham que lutar e lutar e viver a bater-se numa catarse cega é um ato genial. Não é e nunca foi. O mais inteligente é aquele que passa fluido por tudo, que modifica o mundo sem sofrer e se despedaçar. Sábias são nas verdades as pequenas crianças (mesmo aquelas que já passaram dos dezoito anos). Crianças porque brincam a vida, não a atravessam cheias de pedras nas mãos.

quarta-feira, 17 de março de 2010

textos pequenos são legais de ler, não são?

rainbow rainbow
...deixe que o astro-rei te inunde com que há de mais belo: a cor-luz, o som amarelo.

mommy

Eu fico aqui, sentada do seu lado chorando e você nem nota. O que é o descaso, afinal? Mas também é injusto, você sempre teve o costume de estender a mão e eu, de negar sua ajuda. Acho que agora você não vê mais sentido em pelo menos tentar. E eu gosto tanto de você, sabia? Só que não sei ao certo como mostrar isso, como levantar dessa cadeira e te abraçar e chorar no seu ombro e dizer que você é a coisa mais linda que eu já vi. Eu amo os dias que passo do teu lado, e você é sublime, mãe. E obrigado por existir.

bebendo waits; comendo bukowski; vivendo

all the greats together
A maior parte do mundo estava doida.
E a parte que não era doida era furiosa.
E a parte que não era doida nem furiosa era apenas idiota.
Eu não tinha chance.
Só aguentar e esṕerar pelo fim.


PULP - pag. 125

domingo, 14 de março de 2010

i got you (:

HER:They say we're young and we don't know
We won't find out until we grow

HIM: Well I don't know if all that's true
'Cause you got me, and baby I got you.

HIM: Babe
BOTH: I got you babe, I got you babe

HER: They say our love won't pay the rent
Before it's earned, our money's all been spent

HIM: I guess that's so, we don't have a plot
But at least I'm sure of all the things we got

HIM: Babe
BOTH: I got you babe, I got you babe

HIM: I got flowers in the spring
I got you to wear my ring

HER: And when I'm sad, you're a clown
And if I get scared, you're always around

HER: So let them say your hair's too long
'Cause I don't care, with you I can't go wrong

HIM: Then put your little hand in mine
There ain't no hill or mountain we can't climb

. baixe I GOT YOU aqui

sexta-feira, 12 de março de 2010

algas em volta de arroz e manga e peixe e gengibre, tudo junto.


Deus, eu cansei disso tudo. Tem quase um mês que eu não dou uma gargalhada decente, uma gargalhada de verdade. Perdi minha habilidade mais linda: a de rir de mim mesma. E porque diabos eu pareço ter medo de conhecer as poucas pessoas que me excitam de verdade? Todos os outros tolos me são acessíveis, mas os garotos e garotas que eu realmente QUERO colecionar me intimidam. Que mundo mais feio, mais feio, esse que me habita por dentro. E porque que o Glauco morreu? Sei que não tem nada a ver com o todo o resto escrito antes, mas poxa, hoje eu tô exasperada e uma criatura exasperada não mede palavras, não se importa. Eu acho que vou chorar de noite. Fazia quase uns dois meses que eu não sentia o choro chegando assim, como eu sinto hoje. Mas nem tudo é tão ruim, porque eu comi sushi califórnia, e é meu preferido. E a felicidade se constrói dessas coisas pequenas, tipo manejar um hashi com destreza e perceber que se é útil pra alguma coisa, pelo menos.

fairy land


Não vejo mais sentido nas coisas do mundo. Aniversários, feriados, férias, natal. Nada disso. Todo mundo se reúne e é só pra comer e esperar e esperar mais um pouco, e a páscoa emenda no dia dos namorados e é só tristezas porque deus morreu e esse ano você ficou solteiro, ou o que quer que seja. Eu sinceramente não sei, porque também não tenho prática em nada disso. Sou muito tensa, e admito. O maior presente que eu queria era uma pessoa que fosse um pouco mais eu do que todos que eu já conheci, porque é tão triste ser solitária, e eu sou solitária. Acho que é por isso que nada no mundo tem sentido. Quem comemora coisas tolas quando não tem uma companhia de verdade?

e eis que faço do não vivo meu melhor amigo, e do irreal minha verdade absoluta

hey you hey you

Por mais irônico que pareça, eu sou muito fácil de agradar. Na verdade, quando se trata disso, eu sou quase infantil. Eu não fico exigindo muito das pessoas não, basta que elas me distraiam, me façam viajar. E tem gente que surte esse efeito psicodélico em mim, sem precisar sequer abrir a boca. Na verdade, tem mais ou menos um mês, ou três semanas, ou três dias, não lembro bem, que eu ando muito fascinada com um ser desses. Uma droga viva, vai, deixa rolar. Eu admiro muito esse cara, e sei que falo dele quase o tempo inteiro, e antes de dormir ele é minha fantasia preferida. Mas eu não o amo, nem pretendo amá-lo um dia, mesmo que eu pense nele às vezes sob um prisma carnal, que eu o deseje. A verdade é que, pra mim, admiração e amor nem sempre andam juntos. E eu acho que nunca me apaixonei de verdade, e nem pretendo. É gostoso viver mais solta assim. E deixar que a própria vida se encarregue dos sustos e dos momentos repentinos.

quinta-feira, 11 de março de 2010

if only you were real.

Que dia triste é o dia em que se acorda sombrio.
O dia em que vemos o mundo todo em tons de vermelho, mas não rubro vermelho, ou carmesim, um vermelho meio marrom, mórbido. Um vermelho dolorido.
O dia em que levantamos tristonhos, cabisbaixos, sem saber pra que lado correr, ou o que fazer. A gente não quer comida, o corpo não pede comida. A gente quer muita bebida porque o corpo pede muito álcool. Ele, coitado, em vão grita por um colapso. O corpo do homem infeliz que acordou num dia triste pede pra dormir de novo, e nunca mais acordar assim, apodrecido.

i love you gargule ring

Odeio pessoas que se criticam, acho isso tão vazio de alma, de sentimentos. Acho, acredito, queria que todo mundo se respeitasse e se aceitasse e que fôssemos livres pra andar nas ruas como quiséssemos, mal-acabados ou não. Sei lá, tédio, tédio eterno e muito saco é o que eu penso desse povo tosco que fica a se julgar. Aprendam, de uma vez por todas, que ser compreenssivo é massa demais, a gente aprende muito. A gente modela a cabeça fechada e ela se torna aberta e ventilada. Um supra sumo do bem viver. É isso aí (:

terça-feira, 9 de março de 2010

nós dois

Áries precisa entender que se Escorpião não mostra tudo o que sente é por temer o abandono, e não porque seja desonesta.

E Escorpião precisa entender que Áries não tem a paciência para ir até o inferno, como esta gostaria.

friendo

só se é feliz, quando somos crianças. de 5, de 20, de 40 anos ._. não se pode viver a vida como se ela fosse um copo d'água, insípida, incolor e inodora. o importante é se sujar comendo brigadeiro, é ver filme no chão da sala, dançar no meio da rua. o importante é ser feliz com seus amigos e não ligar pro que pensam os outros. estereótipos me cansam.

domingo, 7 de março de 2010

be sad sometimes

E às vezes seja triste, porque também é bonito ser um pouco assim. As pessoas falam muito de corpos dourados e risos perfeitos. E niguém se lembra que às vezes rimos de tristeza, de nervoso, ou de coisas que nem sei bem. A gente às vezes para pra pensar e se reprime, e isso não é legal. Pensar muito em como poderíamos ser melhores nos impede de exercer os defeitos, e eu acho que os defeitos também são belíssimos, sob o prisma da compreenssão. Por isso também é bonito ser triste, é libertador. É como ser você mesmo e ser aceito por isso, apesar disso, com isso e mesmo assim.

quarta-feira, 3 de março de 2010

deus e o diabo na terra do sol -

...E conta a estória que o camponês, num momento de desespero, mata o patrão escravista. Foge pro meio do nada e conhece Santo Sebastião - um profeta negro que afirma que um dia o mar vai virar sertão e o sertão vai virar mar e que o sol choverá ouro. E é preciso matar todos os que fazem mal, começando pelos padres e prostitutas...
Gente, gente minha, bonita, não percam tempo dizendo que sou cult&cool, e multi tribal e que eu sou legal e nerd e extra inteligente, porque isso não vale de nada. Ou pelo menos nunca achei quem me fizesse acreditar que sim :)

with lemon juice, holga, bread and laughs.


E ai que tudo começa a pesar, e a vida em rodas sambar. É uma conspiração bonita, metódica. Todo mundo quer um pedaço pequeno da gente, não é? E meio que aos poucos nos sentimentos tortos, cansados, um peso nas costas, mochilas amassadas pelo tempo, poeira da estrada no rosto. Eu acho que cansei disso tudo, do mundo. Eu quero um lugar pra sentar, e comer um pão e beber um copo de lemon juice e ser feliz rindo de mim mesma. E talvez uma holga pra tirar aquelas fotos coloridíssimas de uma infância feliz que findou-se há muito, muito tempo. Nem sei mais.