Eu lembro que ela disse "eu o amo", e nem mesmo no blog dela teu nome consta mais. Parece-me que o novo namorado, que ela provavelmente ama, é muito ciumento e não gosta dessa coisa chamada passado. Penso que talvez ele tenha pedido que você não estivesse mais lá.
Enquanto isso, você vive, ela vive, até o namorado novo dela certamente vive - e eu morro. Todos os dias, um pouquinho mais, dentro de mim. Vou me afogando nessas coisas que tenho aqui dentro, sem ninguém para me ajudar a desafogar as mágoas. A culpa deve ser minha.
Eu, que quando digo que amo é de verdade e deixa uma marca eterna em mim. Não sei esquecer pessoas. Não sei viver sem que elas estejam dentro de mim o tempo todo. Por isso você vive, ela vive, e eu morro.
É legal que você tenha amigos, saia e se divirta. É bom e fortuito que você seja uma pessoa, afinal. Eu tenho certeza que não sou. Humana, não sou. Fiquei com medo de não conseguir me isolar de novo depois de ter criado uma casa em ti - mas eu consigo. Esses dias tenho sentido isso, aqui, nos meus ecos e espaços obscuros - cavernas interiores.
As pessoas são muito interessantes e constantemente objeto da minha observação, precisamente porque não quero com elas mais nada além da distância segura e do entretenimento. Todo o mundo é um padrão e eu vou anotando. Trezentos e sessenta e cinco dias para um novo namorado. Sete meses para esquecer que me amava. Quinze amigos em comum. Uma menina que parece muito comigo e ao mesmo tempo não me lembra em nada. Aposto que ela também é pessoa, quando eu sou apenas a escuridão.
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terça-feira, 2 de setembro de 2014
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
minha mãe diz
Minha psiquiatra diz
que sou sensível
e ela também diz
que isso é um dom.
E minha mãe diz
que sempre fui assim
e eu não sei se estão tentando
me enganar.
Enquanto isso,
eu espero.
domingo, 3 de junho de 2012
A água caindo sobre meus cabelos e caindo dos meus olhos, e eu só pensando em muitas coisas erradas que fiz, e em tudo de errado que sou. A dor é horrível, e é pior agora porque achei que tinha me livrado de tudo isso. Não sei o que é meu, o que é do remédio e o que é da suposta doença. Direi mais uma vez, provavelmente não a última, que estou cansada. Tentei pensar em alguém com quem pudesse conversar, alguém que não fosse eu mesma - alguém que me desse mais do que as acusações que ouço dentro da minha cabeça. Não havia ninguém. Nunca houve ninguém. Sempre estive sozinha com meus pensamentos, eu acho. E, mesmo assim, tentei. Liguei pra quem eu queria ouvir me dizer que tudo ficaria bem, que tudo sempre ficaria bem. Mas era longe, e era frio, e essa pessoa fica com raiva de mim às vezes também.
segunda-feira, 21 de maio de 2012
"Na iminência de uma catástrofe qualquer."
É como me sinto quando baixo a guarda e surge de novo esse sentimento. Como se bombas pudesse erguer-se do solo e depois explodir de encontro ao meu peito a qualquer momento. É assustador, e essa é a pior parte. Pouco me serve saber que muito provavelmente nada acontecerá. O medo e essa certeza paranoica de coisas ruins se preparando para mim mais na frente é que me matam. A pressão no meu peito, a angústia, o cenho franzido e a vida sobrecarregada de frustração. Os sentidos estão exaltados, a visão é turva e inconsequente - parece-me que vejo tudo errado e concluo tudo errado a partir do que vejo. O que estou escutando agora? São meus pensamentos ou são minhas profecias? O mundo está torto e sou a única que o vê como deve ser ou sou uma farsa?
Pensamentos demais para uma só mente.
Pensamentos demais para uma só mente.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
domingo, 18 de setembro de 2011
Crianças humildes correm atrás de mim, e perseguem sonhos que nascem em cipós de ouro ao redor dessas florestas. Na verdade não me importo, poderiam ser crianças caindo de estradas, e caindo depois em valas, e morrendo por velhos ideais que não entendo... que não entendemos - eu e as crianças. E me pergunto, será que um dia já fui assim? Às vezes acho que nasci contendo uma alma que já é velha, alma que percorreu souks e vestiu túnicas antes que a terra fosse tão salgada; que apertou a mão de reis e se viu escapar por pescoços cortados à mando destes mesmos reis... É que a vida é assim. Misteriosa.
domingo, 14 de agosto de 2011
quinta-feira, 2 de junho de 2011
domingo, 22 de maio de 2011
I loved you and it was not my fault.
Fazia frio, um frio daqueles que preenche as fantasias de natal de pessoas que moram em terras tropicais. Frio que passava pelas tramas de algodão e lã das minhas roupas mornas e congelava os ossos embaixo das minhas carnes. Eu sentia pena do peixe dourado no aquário diminuto sobre a mesinha do quarto, e decidi que encher o aquário com água morna da torneira era uma boa forma de aliviar esse sentimento obscuro.
Quando ergui o vidro contra meu corpo, o peixe boiou pateticamente seguindo a inércia dos meus movimentos. Um peixe que não tem forças sequer para contrapor as forças das águas ao seu redor é motivo suficientemente triste pra deixar muita gente refletindo sobre a injustiça do mundo... De qualquer forma, lancei um olhar sobre as escamas que não reluziam, que estavam agora amareladas, sujas e empobrecidas; traíndo o fulgor do dourado que antigamente brilhava refletindo o sol da janela.
Fui até a pia do banheiro e girei a torneira para o ponto morno. Testei a água com o dorso de minha mão e, satisfeita, posicionei o aquário sob a torneira. Imaginação minha ou não, vi o peixe abrir a boca extasiado, como quando mergulhamos muito fundo e no último minuto de ar e de fôlego rompemos novamente a superfície da água. Comecei a pensar em outras maneiras de manter meu companheiro vivo até o fim do inverno. Mais comida? Enrolar alguns cobertores em volta do aquário? Colocá-lo em cima do aquecedor? Guardar meu peixe dentro do forno - obviamente desligado?
Me distraí, e só no último segundo percebi que o peixe havia caido na pia e lutava com seus últimos instintos contra a pequena correnteza artificial que o puxava para o ralo. Cravei minhas unhas em seu rabo gelatinoso, o frio da porcelana ensopada enviando choques para o meu sistema nervoso, o peixe derretia sob meus dedos e no segundo seguinte, já não havia peixe nenhum. Ele se fora, ralo abaixo, junto com toda a água fria.
Voltei para o quarto, pus o aquário vazio sobre a mesa novamente e voltei a sentar na poltrona de leitura. Era sempre assim, em todo o lugar o inverno fazia suas vítimas, tragando a gente ralo abaixo, junto com todo o frio do mundo.
terça-feira, 1 de março de 2011
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
As mãos tremiam enquanto ele procurava o isqueiro no bolso. Tremiam enquanto ele o levava até o cigarro nos lábios e, pelos céus, tremiam até quando ele pôs as mãos nos bolsos, completamente destroçado.
- Eu sinto muito, mas não consigo, não consigo fazer isso.
- O que há de errado agora? Não é grande coisa...
- Grande coisa?! Por acaso você está fora de si? Não compreende o que estou prestes a fazer?
- Casar-se. - Era simples, não havia razão para que ele temesse tão profundamente aquele casamento. - Você vive com essa pessoa há três anos, já são casados na prática. O que farão hoje, meu caro amigo, não passa da consumação desse fato.
- É oficial, é oficial..
- E por acaso não é oficial quando você abre os olhos pela manhã e encontra os olhos dela? Não é oficial quando vocês riem juntos lembrando as histórias do passado? Não é oficial quando você diz, com toda a sinceridade e a vontade do mundo, o quanto a ama?
- Talvez... Talvez você tenha razão. Mas a partir de hoje é como se eu não pudesse mais me arrepender e simplesmente ir embora...
- Não viva sua vida preocupado com as chances de ir embora, de desistir.
As mãos pararam de tremer.
domingo, 19 de dezembro de 2010
Tantas coisas que eu poderia ter feito, inúmeros caminhos que eu poderia ter escolhido percorrer. Alguns deles certamente sozinho, outros talvez acompanhado, mesmo que fosse somente pela amargura. Ah, não vou perder tempo enumerando os dias que eu perdi por medo, nem os fatos que deixei de viver por simples assombro. As oportunidades, todas, se esvairam pelo chão, pelos cantos da minha alma. Mas não estou triste, essa não é a palavra correta, tampouco o sentimento correto. Talvez fosse melhor dizer um pouco desiludido, um pouco desinteressado, um pouco sem perspectivas. Mas claro que sempre fui assim. Não é a morte iminente que vai alterar a natureza da minha vida: um tédio total.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
um segundo é só o que você precisa, pra aprender que é mais forte do que jamais imaginaria. um segundo em frente ao pânico e à hesitação, sendo massivamente esmagado pelas incertezas. um simples e efêmero segundo. e é bom que você saiba disso desde já, porque nem sempre a vida te dá a chance de interpretar bem o valor do tempo perdido.
sábado, 9 de outubro de 2010
7 razões (ilustradas) para eu gostar do Criss Angel:
1. Porque ele tem um sorriso lindo.
2. Porque a gente pode dividir os anéis e os demais bling-blings *-*
3. Porque ele tem aquela cara de bad boy, atooooron.
4. Porque ele tem um olhar muito, mas muito, muito a là misticismo xamã.
5. Porque às vezes ele parece uma criança (como eu ._.)
6. Porque ele muda muito de cabelo (como eu ._.²)
7. Porque ele pode levitar comigo nas costas manolos, mindfreak power !!
sexta-feira, 24 de setembro de 2010
* A conversa que os personagens de Al Pacino (Sonny) e Chris Sarandon (Leon) têm ao telefone foi toda improvisada pelos atores.
* Na hora em que uma das reféns oferece um cigarro a Sal (o parceiro de Sonny no assalto ao banco), ele recusa o cigarro e diz que não quer morrer de câncer. O ator John Cazale, intérprete de Sal, tragicamente morreu dessa mesma doença três anos depois do filme, em 12 de março de 1978, devido a um câncer nos ossos.
* Em 1975 o próprio realizador original do assalto, John Wojtowicz (no filme, Sonny Wortzik) escreveu um artigo para o New York Times, onde apontava para os fatos verídicos e falsos do filme (dois deles, bastante curiosos, é que tanto ele quanto Sal já estavam imobilizados quando o agente do FBI decidiu atirar em Sal; e o outro é que Ernest Aron (no filme, Leon), havia sofrido morte clínica em sua última tentativa de suicídio, uma semana antes do assalto).
* Na hora em que uma das reféns oferece um cigarro a Sal (o parceiro de Sonny no assalto ao banco), ele recusa o cigarro e diz que não quer morrer de câncer. O ator John Cazale, intérprete de Sal, tragicamente morreu dessa mesma doença três anos depois do filme, em 12 de março de 1978, devido a um câncer nos ossos.
* Em 1975 o próprio realizador original do assalto, John Wojtowicz (no filme, Sonny Wortzik) escreveu um artigo para o New York Times, onde apontava para os fatos verídicos e falsos do filme (dois deles, bastante curiosos, é que tanto ele quanto Sal já estavam imobilizados quando o agente do FBI decidiu atirar em Sal; e o outro é que Ernest Aron (no filme, Leon), havia sofrido morte clínica em sua última tentativa de suicídio, uma semana antes do assalto).
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
"Ma Baby"
Eu subestimei meus sentimentos por você. Achei que superaria a necessidade de conversar contigo, de ouvir tuas canções. Achei que nunca mais ia me perguntar como você estava, ou como andavam as coisas em casa ou os trabalhos da escola, do estúdio, tudo isso.Errei.É que ontem, ouvindo tua voz naquelas músicas que de certa forma me lembram de mim mesma, me ocorreu que na verdade eu só precisava de um tempo pra pôr as coisas em perspectiva, entender o que eu sinto por ti de verdade. E eu tive um mês, e se quer saber, um mês, nesse momento da minha vida, passa como se fossem cinquenta anos. Caralho, foi difícil pra caramba lembrar do quanto eu me sentia bem contigo e de repente como as coisas desandaram. E eu tenho um bom coração e sei que você também, mas acho que agora você o endureceu, por culpa das coisas que te aconteceram, e eu tenho medo de você. Porque sei que, caso você volte a falar comigo (o que já é difícil), não vai ser como antes. Você não é bom com as pessoas, a menos que esteja apaixonado por elas. E já que não me ama mais, eu sei que não vai ser como eu estou acostumada. É difícil, não sei o que fazer. Sinto muito, muito mesmo, a tua falta. Isso eu sei.
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