qualquer coisa grite meu nome:

quarta-feira, 14 de julho de 2010












Your mind is everything. Burn It.
The only key to the only possible door.
Your mind opens you inside of yourself,
and then everything turns to zero again.



Quando digo tell me your name entenda que não é necessariamente em sentido literal.
Saiba, mesmo que sem comprovar, que o que eu quero é a sua alma. Seus anseios.
Um nome não é nada mais do que o invólucro, e eu desejo o que ele contém.

terça-feira, 13 de julho de 2010

la vie est belle.


       Somente moro no lugar em que moro - o qual você vê agora: todo madeira, nuvens, sons e sonhos de veludo - porque de certa forma é o lugar que melhor traduz por fora o que há por dentro de mim. Sou um homem cujos sonhos não me são problema porque não os calo. Permito-me amar sem distinção aqueles que realmente importam. Minha vida é simples e é assim que sou feliz.

       Não tenho pressões pois vivo para mim, ao contrário do que dizem, viver para si não é pecar por ser egoísta, mas atender os meus desejos de ficar bem. Desejos que na maior parte do tempo envolvem dar presentes aos meus amigos, ir à praia de tarde ou compor uma nova canção para a mulher da minha vida. Sou livre por nunca ter permitido que o comum me pressionasse. Sou livre por nunca ter pretendido ou lamentado não me adequar.

       Sei que ainda somos poucos os que aprendemos a viver assim. Mas aqui mesmo, entre as vielas douradas, reconheço alguns clãs. Se você vê alguém circulando "com um cordão de couro com pérolas negras preso ao pescoço ou os cabelos, é sinal que acabou de encontrar alguém do clã das irmãs Mignot". Eu mesmo conheci minha querida lá, numa noite quente de verão onde dividimos o mesmo quarto sem paredes e conversamos até o amanhecer.

       Talvez eu seja um grande sonhador, mas entendo que a vida é mais calma, profunda e sensorial do que muitos acreditam. Meu mais profundo desejo para o mundo é que ele não se cale nem cegue para essa verdade.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Parafraseando Toquinho.

A cada passo teu, segue meu coração, por entre os móveis, calçadas, parques e avenidas. Viva cada instante, viva cada momento, proteja da razão teu sentimento. Tente ser feliz enquanto a tristeza estiver distraída. Conte comigo a cada segundo dessa vida. E o tempo vai passar ao longo dessa estrada. Novas estórias lhe serão então contadas. E você vai crescer, sonhar, sorrir, sofrer entre vilões, moinhos, dragões e poucas fadas.

Não é porque não encontrei minhas fadas que vou deixar de acreditar que existem, falo sério.

domingo, 11 de julho de 2010

Ô amiguinho querido rs

Olha Douglas, você sabe que eu não minto, que eu tento ser o mais honesta possível comigo mesma. E não é nenhum problema pra mim, não me sinto traída, nem me fere, dizer que você é de verdade um cara bom. E que me sinto menos sozinha só por ter tuas ocasionais palavras que me fazem sentir ao menos como que bem querida por alguém. Você é um dos meus, à sua maneira. Entre minhas besteiras e tuas garrafas de cerveja, sinto que hoje posso prometer te amar pra sempre um pouco mais do que até amanhã.


Ps: Até coloquei uma fotinho simbólica do seu par perfeito com seu paralelo musical rs
What am I if not a ghost?
If not shadow?
If not dust?
Have you drained my soul and fulfilled me with your sorrow?
Or am I just too old to live enough...
Anymore?

just feel like a mango

living down on the tree

a fruit killing the passers

all them to hit in the street

strange city that doesn't sleeps

only at night it's really free

and when your hometown is alive

is that you can finally see

everything that's is near

sábado, 10 de julho de 2010

Se me auto-sequestro, só eu me resgato.

Talvez seja mais doloroso procurar o que preciso dentro de mim e não nos outros. Aliás, eu melhor do que ninguém posso afirmar que é. Mas também tenho certeza que da feita que eu me complete, por ser tudo fruto do meu esforço, vai ser pra sempre, de verdade. E aqueles que se preenchem com o que existe dentro de todo mundo menos de si próprio ficam à mercê de uma série de acontecimentos. De uma hora pra outra tudo desmorona. É por isso que se acabam relacionamentos, que se terminam amizades, que se odeia certo emprego. Porque as pessoas em geral se fazem com todos os materiais menos com a própria essência.

Saído do forno de um tópico do Orkut pra cá:

Gustavo:
Só uma provocação:

  • Ninguém aqui (nem eu), é menos alienado por não escutar restart, como alguns aqui pensam.
  • É ignorância rotular alguém porque escuta certo tipo de música, até restart. Porque? Porque a pessoa pode não dar a importância que por exemplo você dá a música e escutar para se distrair, dançar, enfim, pode ser alguém que leia livros, procura a informação, a cultura e o conhecimento de outras formas, até mesmo na música, mas não deixando de escutar outras.
  • Há muita homofobia/preconceito escondido por trás desse ódio a certos grupos de pessoa e que na minha opinião é pior do que a moda em si.
  • Há sim cultura, músicas de qualidade, pessoas inteligentes, não pensem que tudo acabou porque importamos uma moda americana, como de costume fazemos, e adolescentes a aderiram, o mundo é muito mais que isso.
  • Odiar alguém por escutar essa ou aquela banda, usar essa ou aquela roupa ou o que for... É estupidez, se não me falha a memória a constituição dá o direto à gozar da liberdade tendo como fim a felicidade própria ou coletiva desde que não interfira nos direitos do outro, logo você pode até se incomodar, apesar de ser em vão, com o outro mas não mais do que isso.

    Discutam.
    Ps: Não me acho superior, não sou perfeito e tudo o que escrevi pode estar errado, estou aqui para evoluir, não para ser avaliado.

Bom Gustavo. Discutir-te-ei, como pedistes. Ou talvez não exatamente como pedistes, mas isso não faz diferença aqui..

Tem muitas coisas que você disse e que são verdade. O fato é que quando as pessoas se reúnem por um motivo, muitas coisas podem acontecer. Então, por exemplo, os adolescentes que hoje curtem Restart, se unem pra defender o gosto musical, as idéias, e tudo o mais. Ok, isso não é nenhum problema, todos podem gostar do que bem quiserem, e não existe essa de dizer "mas meu gosto é superior ao seu". Só que ao invés de se proporem a discutir as coisas, ficam só naquela alienação de "xingar no twitter", fazer de tudo pra minha banda preferida entrar no top ten mtv, essas coisas. As pessoas, hoje em dia, parece que quase só se mobilizam por motivos muito fúteis, motivos que só trazem bem individual. E quando eu digo "pessoas" claro que não são todas, mas sim a maioria. Na verdade, sempre foi assim, em todas as épocas existirão a maioria dominante e aquele grupo que contesta, o que muda são só os assuntos e os suportes (vide cartas mandadas para os jornais e agora o twitter).

A verdade é que hoje, parece que vivemos num mundo que celebra o descartável, plástico, instântaneo e não dá mais valor pro que é duradouro, pro que precisa ser trabalhado dentro de você. Todo mundo vive ávido por um conceito, sabe, têm fome de ideias já moldadas por outras pessoas. Preguiça de pensar, ou às vezes medo de falar o que realmente pensa. Sabe aquela história do primeiro dia na escola, onde você chega e não conhece ninguém, aí te perguntam o que você gosta de ouvir, e você diz Lady Gaga, porque sabe que quase todo mundo gosta e quer se enturmar ? Antes podia ser Elvis Presley, N'SYNC, tanto faz. Mas o desejo de se "enquadrar" nunca mudou.

Acho que o problema são as pessoas que, não só na nossa geração, moldam o que têm por dentro de acordo com o que tem por fora. Por isso mudam tão rápido de estilo musical, de amores, etc. O certo, na verdade, é ser sempre só você, mas nunca deixar de respeitar o próximo. Temos que aprender que viver é argumentar, conhecer tudo que for possível, aceitar as diferenças, mas sem perder a personalidade. Não somos robôs.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Uma vez na vida, pelo menos, é importante que se ame um poeta, amor de verdade, correspondido. Pois somente estes homens sabem como manejar sentimentos e palavras em corredeiras pulsantes, córregos e forças que elevam a alma de quem lê e de quem inspira o poema de amor.

sinto que morro
a cada dia mais um pouco
mas na verdade não lamento
nem me importo
é um alívio
certo contentamento
que ao menos termine
esses martírios
de estar vivo

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Enquete Esquisita, eu não tô legal (?)

No msn, quase que totalmente ociosa.
Pesquisando umas fotos da Jane Fonda e da Audrey Hepburn.
Aí me ocorreu:





Segundo minhas estatísticas, Audrey é unanimidade entre os homens, e Fonda tem 75% do voto das mulheres.

Não que isso signifique algo, mas gostei da idéia das enquetes instantâneas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Hoje acho que posso assumir com certeza

que sou um dos seres mais estúpidos e psico-depre-multi-died existentes no planeta. Posso porque me observo, um ato que a maioria se recusa a fazer. Posso também porque vejo (com um quê de alívio) que sou um dos poucos assim - talvez o último dos moicanos? Sei que a maior parte de nós adoraria ter companhia, onde quer que fosse, e se sentiria pelo menos um pouco melhor se, quando no inferno, ao menos não estivesse sozinho. Eu não. É com um certo contentamento pessoal que vejo que a alegria, a felicidade, e principalmente a vontade de ser alguma coisa e ter alguma coisa e ter um alguém nasce em todos os outros lugares, mesmo que não em mim. Não se pode lamentar a própria sorte e deixar de perceber que existem salvações para quase todos os outros, seria demais egoísta, egocêntrico e hipócrita. Não combina comigo.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

the moto "Life Against Death" beats again on my heart.

Grace Slick and Jim Morrison, live at europe, 1968
THE DOORS (L)
I'd live to say i love you guys, but you are already dead.
Wait for me, fellows, wait on hell.

Last Round Corner of This Sick Train


Pouco a pouco vou sentando num vagão qualquer do espaço. Deixo que este meu trem percorra alucinado as milhas por sobre o trilho da vida. O tempo, ah o tempo, que alimenta as caldeiras desta maquinaria. Não foi Eistein que disse algo sobre estar em movimento no fundo de um trem, e o observador externo tem a impressão de que você se move mais rápido do que realmente é? Surreal, surreal como a própria existência. Eu já tentei de tudo. Já fui meu maquinista, passageiro, volante, poltrona rasgada; já tentei retardar essa minha condução, correr além do permitido, estacionar (causei tanto acidentes com essa atitude ignorante - não se pode parar esse trem); já tentei coletar passageiros, uma tentativa de pelo menos tornar a viagem um pouco mais aprazível, mas meus poucos viajantes noturnos se despediam após alguns quilômetros, em parte culpa minha, pois lhes servia o melhor alimento e bebida no começo, mas quando os via comer, percebia seus erros e falhas de imaginação, desistia e os deixava ao relento, passageiro nenhum permanece num trem mal cuidado como o meu. Por isso eu desisti de fazer qualquer coisa que não seja sentar e esperar o fim da linha. Tomara que não demore muito mais do que já dura essa espera infinita.

sábado, 3 de julho de 2010

you can't put your arms around a memory, marselhia.

Marcela Bruna's MARSELHIA SOUNDSYSTEM, 2010 July

Se eu pudesse, organizaria uma morrison parade's day, qualquer coisa assim. Talvez um milhão de pessoas (sou ou não pretensiosa?) andando juntas e cantando roadhouse blues me fizessem crer em milagres. Mas esse tipo de coisa não existe. Não existem milagres, nem a minha morrison parade. Então, melhor, so, so all i can do is to go down the gray river of time, alone.

Rest In Peace, my dearest.



i live a million days like this
my old school memories floating down
by the gray river of time

xoxo

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Sinto que morri mais cedo do que deveria, nasci mais tarde do que podia, nunca existi.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

July comes killing me
Very quiet, very softly
Between cookies of heat
And some spoiled beats
I think I am going hell
Your god doesn’t seems
To be so miraculous now
That I fit here all on my own
This is what happens to the mean ones
And I accept the fact I have no friends
And I accept the fact I know my destiny
To always miss what I once have got
And then to die alone.







-
Julho chega me matando
Muito calmo, muito macio
Entre biscoitos de calor
E algumas batidas destruídas
Eu acho que irei para o inferno
Seu deus não parece
Tão miraculoso agora
Que eu fico aqui só na minha
Isto é o que acontece aos malvados
E eu aceito o fato de que não tenho amigos
E eu aceito o fato de que sei meu destino
Sempre sentir falta do que antes já tive
E então morrer só.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

tem formiga no meu teclado

asfalto embaixo do solado

sangue sujo no cós amarrotado

sinto que fui abandonado

sou um velho enrugado
perdido

precocemente morto

meu sonho engarrafado


me foderam

Full bed of ophelias, homelias, odelias?

May be not your fault
But still i punish you
Cos’ I am not plenty sure
what i am suppose to do

Don’t know pretty well
Everything on life
Feel like a hammer
A gun, a knife
Things that hurt

I blame who put me here
This is not my place
Not my time
Not my life.
I hate it all.
Pare pra pensar. Se for mesmo parar pra pensar, de verdade, você chega numa nova conclusão (rústica) sobre a vida e blá.
Mas o que é a vida? E blá²

Deixa sair de novo: Só clichê, Só clichê, Só clichê.

“Viver é nunca ter certeza de nada”
“Viver é se arriscar dia após dia”
“Viver é uma complexidade blá blá blá”

Viver, meus caros, é uma coisa meio assim, merda inevitável.

Pois então, chafurde e se afunde nesse lodo estranho e só saia quando estiver completamente deteriorado.

read it screaming the worlds one by one:


What forces me to read
is the same fucking thing
that turns me
into a running blue.

What makes me so sad?
The moans of my mind?
My dead cat or the world,
gray shadows of the MAD?

I truly hate life.
As I truly avoid dying.
For being such a coward
cowboy and all alone.

The king of the assholes.
The king of the fool rodeo
that they call our century.
Might come back to my mom.

“Eux uma princesa muito lindinha !!!111!!”


Eu sei bem o que vejo
Desde cedo se expondo
Crianças na internet;
Crianças sozinhas na rua;
Crianças nas mãos de um monstro,
Porque não?

E seria culpa delas
Que usam e abusam da rede?
Ou dos pais que ignoram
O que suas doces crias fazem no escuro

e do que elas têm fome e sede?

Duas da manhã é hora de dormir
Não de fazer poses indecentes na frente da webcam
Na frente de um email qualquer
Na frente de um mundo cão

Que não respeita ninguém.

Vejam crianças,
O tempo passa muito rápido
E não espera
Por quem não soube aproveitar
O tempo que já teve.

Não façam isso com vocês..

terça-feira, 29 de junho de 2010


it seems to be too late

quinta-feira, 24 de junho de 2010

PDF Charles Bukowski - download it NOW !

If you're losing your soul and you know it, then you've still got a soul left to lose.

Às vezes eu me acho um bocado Charles Bukowski, até escrevo como se fosse ele.


A maior parte dos homens que eu conheci tinha vidas de merda, vidas que não valiam lá muita coisa. Até eu. E o telefone toca de novo, me interrompendo. Eu odeio o telefone. Essa burocracia. É de se pensar, fora do sério, o que acontece se uma vez na vida eu simplesmente fingir que não escuto? Mas sou um cagão, seguro o máximo que é possível, mas sempre atendo antes do último toque, sou um cagão. E escuto a mesma voz vazia, zangada “você fez o que eu mandei? tem que mandar isso rápido pra ele e essa porra ainda vai demorar pra caramba!” Porra, que me interessa? Sei que é meu trabalho e não tenho nada contra o trabalho, é até digno e uma coisa capaz de engrandecer um homem se é decente e feita da maneira certa, mas que merda que meu chefe liga tanto e me atrapalha a vida mandando eu fazer um milhão de vezes a mesma coisa? Ele acha que eu sou um cagão. E eu sou mesmo.

Que tipo de vida imbecil é essa em que você tem que escolher entre ser minimamente feliz e decente ou simplesmente sobreviver?

Abro mais uma cerveja. O telefone toca de novo. Eu não o atendo pelo menos antes do último toque. Tem coisas que nunca mudam. Os homens ainda levam vidas de merda, e eu ainda sou o maior cagão que já existiu.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

it's easy if you try

The catcher in the Rye - J. D. Salinger

       "Depois que eu disse a ela que tinha um encontro marcado, não podia mesmo fazer droga nenhuma senão sair. Nem podia ficar por lá para ouvir o Ernie tocar alguma coisa minimamente decente. Mas não ia de jeito nenhum sentar numa mesa com a Lillian Simmons e com aquele cara da Marinha e morrer de chateação. Por isso saí. Mas fiquei danado quando apanhei meu sobretudo. As pessoas estão sempre atrapalhando a vida da gente."

-
     "Fiquei no banheiro quase uma hora, tomando banho e tudo. Depois voltei para a cama. Levei muito tempo para dormir, não estava nem cansado, mas acabei pegando no sono. A vontade que tive foi de me matar: tive vontade de me atirar pela janela. Provavelmente teria pulado mesmo, se tivesse a certeza de que alguém ia me cobrir assim que eu me esborrachasse no chão. Não queria é que um bando de imbecis curiosos ficassem me olhando quando eu estivesse todo ensanguentado."

-
       "- Seja lá como for, fico imaginando uma porção de garotinhos brincando de alguma coisa num baita campo de centeio e tudo. Milhares de garotinhos, e ninguém por perto - quer dizer, ninguém grande - a não ser eu. E eu fico na beirada de um precipício maluco. Sabe o quê que eu tenho de fazer ? Tenho que agarrar todo mundo que vai cair no abismo. Quer dizer, se um deles começa a correr sem olhar onde está indo, eu tenho que aparecer de algum canto e agarrar o garoto. Só isso que eu ia fazer o dia todo. Ia ser só o apanhador no campo de centeio e tudo. Sei que é maluquice, mas é a única coisa que eu queria fazer. Sei que é maluquice."

arrasou hein paul






e a mary é uma fofa *-*

terça-feira, 22 de junho de 2010

Meu velho Johnny England com Tabaco.

       Eu tive um tio-avô que trabalhou nos correios a vida inteira, mesmo depois do tempo de se aposentar. Pra aqueles que não sabem, isso é coisa pra caramba, ele viveu pra mais de 70 anos. Devia ser difícil acordar todas as manhãs, uma atrás da outra, com exceção dos domingos, e executar a mesma ladainha ritmada de lava rosto, penteia cabelo, põe a farda, se olha no espelho, passa a colônia Johnny England e ajeita o quepe antes de um cigarro de palha. É, ele era do tempo dos correios do quepe – e do cigarro de palha.
       Morei com ele quando era bem menor. Um fedelho de 12, mas parecia ter corpo de 16; sempre fui um cara gordo, grosso e calado. Não nasci pra ser criança também. Nunca tive aquele ar de quem precisa de proteção e carinho, eu me arranjava só; e meu tio sacava isso legal. Evitava cruzar comigo na casa e quase não havia conversa. Na verdade, pensando bem, nossa relação era construída mais por atos do que qualquer outra coisa. Se eu estava no quarto, lendo, e ouvia lá fora o rádio ligado no noticiário, era porque meu tio existia, e pronto. Os sons que produzíamos na casa de dois quartos é que nos lembravam mutuamente um da presença do outro. E ocasionais mudanças de objetos, tipo os pratos sujos na pia, ou os livros jogados na mesa da sala.
       Éramos do mesmo tipo de liga, aquelas pessoas que não são dadas a abraços e conversas inúteis. Éramos homens da praticidade, acima de tudo. Eu acordava todas as manhãs bem cedo e encontrava o café pronto, dinheiro pro ônibus da escola e era só. Ele certamente já tinha ido labutar entre selos e carimbos do estrangeiro fazia tempo. Às vezes eu tentava acordar mais cedo; surpreendê-lo com o café já coado quando ele fosse à cozinha pra coar; mas eu nunca consegui. Se fosse hoje e eu ainda morasse com ele, quem sabe... Estou experiente em café na madrugada, às vezes passo dias sem dormir. Às vezes é culpa do passado, me revolvendo com material pra escrever meus textos doídos. Às vezes é culpa da insônia. Às vezes é remorso. Às vezes são os três juntos, como hoje. Meu tio-avô morreu anteontem, depois de três dias na intensiva do hospital. Eu morei com ele três anos inteiros, sentindo seu Johnny England misturado com tabaco, todas as manhãs, quando ele saía pro trabalho e só o que ficava na casa era o cheiro; e eu. Mas não fui visitá-lo. Meu tio avô morreu anteontem, e fazia 20 anos que eu não o via. E agora nunca mais verei.

sábado, 19 de junho de 2010

everybody lies but eyes always tell truth.


Do lado direito da minha rua mora um homem estranho, que tem uma perna que não funciona direito há mais ou menos cinco anos. Culpa de um acidente misterioso, que o meu vizinho faz questão de manter em suspense. A gente aqui da rua bem que tenta entender um homem que não anda; e até que ficou fácil. Mas o problema não é esse. O problema é essa cisma estranha que meu vizinho tem por gatos e caixas de correio. Faz mais ou menos um mês que os gatos da vizinhança vêm sumindo e aparecendo mortos e enfiados de qualquer jeito dentro das caixas. Você até pode se perguntar como sabemos que é o tal homem, mas eu lhe digo que nesses casos não existem dúvidas, fica tudo muito claro no olhar de satisfação satânica que ele carrega desde que os gatos começaram a sumir. Os homens, andantes ou não, sempre deixam as coisas claras no olhar.
Se você quer ser elogiado, condecorado, admirado; siga as regras invisíveis. Se você quer viver de verdade; apenas seja você mesmo. É um puta desperdício de tempo se preocupar demais com o resto do mundo. Por isso eu digo mesmo: fodam-se todos vocês. Eu meio que já cansei de inventar desculpas para todos os erros do planeta. Cansei de procurar inocentes e vítimas onde simplesmente não há. Vão para o diabo! Eu liguei meus motores, eu tenho óculos escuros, eu tenho rock'n'roll, eu vou nessa. Já não estou mais entre vocês. Eu caí na estrada. E não me importo que só caiba uma pessoa por vez, e que eu esteja sozinha. Porque, na verdade, já estou habituada com a solidão.

Do que você tem mais medo?

96 Pigeon House Road by Don Healy
Eu tenho medo do fanatismo. De todos os tipos. Principalmente o religioso.
96 Pigeon House Road by Don Healy

Salve a Legião Urbana.

96 Pigeon House Road by Don Healy
Quando nascemos fomos programados a receber o que vocês nos empurraram com os enlatados dos U.S.A., de nove as seis. Desde pequenos nós comemos lixo comercial e industrial, mas agora chegou nossa vez, vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês. Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião, somos o futuro da nação, geração Coca-Cola.

Depois de 20 anos na escola não é difícil aprender todas as manhas do seu jogo sujo. Não é assim que tem que ser. Vamos fazer nosso dever de casa, e aí então vocês vão ver suas crianças derrubando reis, fazer comédia no cinema com as suas leis. Somos os filhos da revolução, somos burgueses sem religião, somos o futuro da nação, geração Coca-Cola.
Se está bom pra você, nem me pergunta o que eu acho. Tenho um monte de trabalhos pra fazer, pendências... Minha vida é uma pendência atrás da outra, e quando eu acho que me livrei do absurdo, lá vem o ridículo. Okey, eu supero.
Clique aqui para ver gráfico explicativo rs
Se você pode, eu posso. Porque não há limites pra minha imaginação. E agora somos como uma só.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Os Cães Ladram, Truman Capote, pg. 55


Ontem, voraz, lembrei-me de ter admirado os cestos de frutas do lado de fora de uma mercearia grande, por onde passei algumas vezes. Laranjas monumentais, uvas do tamanho de bolas de pingue-pongue, maçãs empilhadas em pirâmides vermelhas. Há algo de ardiloso nas distâncias aqui, nada é tão perto quanto se imagina, e não raro alguém viaja quinze quilômetros para comprar um maço de cigarro. Andei três quilômetros antes de avistar a placa na mercearia. As bancas enormes eram inclinadas, de longe eu já via as frutas esplêndidas: pêras, maçãs. Cheguei. estendi a mão para pegar uma das maçãs extraordinárias, mas ela parecia colada à banca. A vendedora riu. "São de cera", disse, e eu também ri, talvez um pouco exageradamente, e a segui pelas profundezas da quitanda, onde comprei seis maçãs pequenas, desanimadas, e seis pêras pequenas, desanimadas.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quando o mesmo poema serve pra dois.

Seus olhos são as duas pedras azuis mais filhas da puta que eu conheço
Porque se eu te odeio, é no exato momento que me olham que eu esqueço
E começo a pensar besteiras, coisas de outro mundo, sacanagens mesmo
Nem me importa se você é menina ou menino, do mesmo jeito estremeço

Confesso que tua boca, teus cigarros, essa pele branca marfim,
A voz rouca acelerada, teu estilo presídio adolescente mexaram em mim
Você e eu nos merecemos, mas nunca ficaremos juntos e iguais
Porque é síndrome do mundo me dar hipóteses sem finais

terça-feira, 15 de junho de 2010

Não existe fracasso se não existe tentativa. Não existe suicídio se não existe vida.

Que besta eu tenho sido, olhando em volta e esperando pelo meu amigo suicida. Porque você sabe, tem sempre um deles no meio dos grupos, qualquer grupo. E dois, três anos se passaram e nenhum tiro, pílula, ou cortes na pele do pulso. Nenhum funeral adolescente; nada de rock no cemitério, ou minuto de silêncio na escola/faculdade. E foi aí que eu percebi que a amiga suicida do meu grupo sou eu. E estou atrasada pra caralho, puta que pariu! 17 anos; 17 anos e nada. 17 anos de porra nenhuma. Antes eu pensava em suicídio chorando, um monte de drama. Toda uma encenação do capeta, preparando os ritos, imaginando a cena e os choros posteriores, escrevendo bilhetes imaginários de adeus e de desculpas, quase como se eu fosse estar lá. Mas não estarei, então não faz diferença. Agora ficou banal, me tornei indiferente. Não dá uma certa angústia ?
Vocês podem julgar as coisas como aconteciam naqueles tempos. Ah, podem sim. Até forjarem-se imaculados, santos puros. Entretanto, não esqueçam nunca daqueles tempos loucos, passados. E de todos aqueles lugares remotos. Pois o que vocês são hoje é fruto direto daqueles erros, e esquecê-los seria esquecer do que vocês próprios são feitos.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

para félix feneón

        Me questiono constantemente o que leva um homem, caldeira de idéias e valores, a estagnar dentro do perfeito círculo da moral. O que faz um homem acreditar em tudo que lhe é dito ? O que faz com que ele rejeite sistematicamente as idéias que lhe são tabu ?
        Porque eu tenho um conhecido que se forja um homem da justiça, que insiste religiosamente no sistema que todo mundo já domina: a felicidade é a perfeição; depressão, suícidio e outras tristezas são doenças que abatem somente aqueles que permitem; não é saudável se afastar do mundo e dos amigos; coisas assim. E eu não poderia discordar mais.
        Para mim, digerir o mundo sob esta ótica, que se fez muito antes que você fizesse parte dele, é covarde demais. É ter medo de pegar sua pá e cavar uns poços profundos por conta própria. É deixar de viver de verdade em nome da dita existência perfeita. E, talvez o mais importante, é o total oposto, negativo , do que eu fiz em mim.

sábado, 12 de junho de 2010

Este é o último dia 12 de dois anos, e chega com um adeus duplo.


Ela andou pensando muito em ti esses dias, e sabe, percebeu que as coisas não mudaram, não para ela. Mas eu sei, e você foi muito honesto quando lhe disse, que pra você sim. Então eu acho que a melhor coisa que ela faz é se afastar, porque ela ainda é muito presa em ti e não é tua culpa, mas dela. Que não consegue ir, porque nunca gostou de ninguém da forma como gosta de ti. E não estou falando somente das coisas boas, mas até das brigas e dos desentendimentos e das diferenças. E também não estou falando de coisas como casar, ter filhos, ser namorada, sexo, somente isso. É mais... Confuso. E ela realmente nunca teve nenhum contato assim com ninguém antes, é isso que eu quero dizer. E a verdade é que eu não acho justo que ela continue fazendo isso consigo mesma, sabe, ter esperança toda vez que vê que a marcastes numa foto, ou deixastes mensagem secreta nas comunidades, coisas assim. Só está se iludindo, e o pior é que todo mundo sabe, e ela tem consciência, ou seja, é deprimente, paranóica, estúpida e etc.

A verdade é que para ela você é único, as coisas que ela sente por ti são únicas, sempre serão, você sempre vai ser O, sabe, é estranho, mas um dia, quando aparecer a TUA, você vai entender. Esta nova será aquela por quem tudo vai valer a pena, e de quem você nunca vai cansar, podem se desentender, ficar de cu doce por um tempo, mas lá no fundo, você vai saber que essa pessoa já faz parte de ti e ela vai ser única. É assim que tu és para ela, e era assim que ela queria ser para ti, mas eu entendo que não passe de uma amiga, uma grande amiga. Mas (não estou comparando, e não é nenhum tipo ciúmes, estou usando o meu melhor exemplo) ela não é diferente, pra ti, da primeira, segunda ou terceira companheira de copo, entende ? Enquanto que para ela você é diferente de todos que conhecemos. Não sei se me expliquei direito, sinto que não, mas se eu não consigo explicar esses sentimentos nem para ela, nem para mim mesma, quem dirá pra ti.

De qualquer forma, ela te ama mesmo. E eu sei que parece muito fácil quando isso é falado assim, por outrém, sem precisa te ver, mas eu sei que é verdade. E eu também sei que o "destino" de vocês não é ficar junto. Mas nem isso a impede de gostar de ti, e ela não é o melhor exemplo de racionalidade, você sabe. E se você ler e não se identificar, é sinal de que realmente ela não faz tanta diferença pra ti, assim, desse jeito que tu fazes para ela. E se você não quiser mais falar com ela, tudo bem. A verdade é que era preciso tentar deixar as coisas mais claras, porque doíam todas essas dúvidas.

Você sabe que pode contar conosco sempre,
M.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Na esquina.

Na esquina tenho um amigo, nesta grande cidade que não tem fim. Os dias passam e as semanas correm, e antes mesmo que perceba, um ano passou. E eu nunca vejo meus velhos amigos, porque a vida é uma corrida rápida e terrível... Ele sabe que gosto dele, como nos dias em que batia à sua porta. E ele batia à minha porta, e nós éramos mais jovens, e agora somos homens ocupados, e cansados. Cansados de jogar esse jogo idiota, cansados de tentar ter sucesso.
- Amanhã - digo - vou ligar pro Jim, só para lhe mostrar que penso nele.
Mas o amanhã vem, o amanhã vai, e a distância entre nós cresce e cresce...
Na esquina! O mesmo que milhas de distância...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

I have been murdering someone for so
much time that i can't reconize myself,
the ghost of sunlight, approaching my
dying time again.

die motherfucker die

quarta-feira, 9 de junho de 2010

com amor com camisinha


some day, over the rainbow

CAMBOJA BARCELONA MADRID ANDALUZIA PORTUGAL ZIMBÁBUE

what ever

Eu te vi fazendo os acessos na internet, clicando neurótica nos links já clicados. Eu sei que você anda bebendo café demais, que teu pé esquerdo anda dormente sabe-se lá porque (talvez culpa da cafeína ?) e que você não dorme bem de noite por culpa do grito. Sim, o grito reprimido. Sim, o grito de socorro. Whatever. É ruim ser só.

terça-feira, 8 de junho de 2010

feelings

É muito difícil conviver com o amor, em linhas gerais. Cada novo dia me traz novos fatos, uns que eu odeio e outros que me cativam, e eu tenho que saber domar os sentimentos e lidar com cada um deles isoladamente. Se você quer saber, isso é pura tensão, pois é o que desgasta o amor, mas também o que dá corda. O que me dá vontade de desistir, mas o que faz com que eu não desista nunca.

domingo, 6 de junho de 2010

truman capote: jet set internacional
charles bukowski: jet set marginal
jack kerouac: jet set da auto estrada


mas no fundo são todos iguais porque escrevem sob o mesmo pecado.

sábado, 5 de junho de 2010

pain flute

Tenho buracos nas costas. Um de culpa e outro de saudades. E ando desfigurada por aí, em todos os cantos e parece que mesmo assim ninguém percebe. Não deixa de ser engraçado.Talvez todas as pessoas do mundo tenham essa mesma sensação que eu tenho. De "incompletude". Talvez isso as torne estéreis aos sintomas alheios. Egoísmo. Egocentrismo. Ego-dor.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Acho que as pessoas que usam o alcool como desculpa para falarem o que realmente pensam não passam de fracas. Não sei qual é a graça de levantar a bandeira do "me desculpe mas eu estava alto demais e não pude me controlar". Grande besteira. E também é culpa daqueles que permitem qualquer comportamento àqueles que não sabem maneirar em nada. A vida não perdoa os bobos, os fracos e os alcoolátras.

being born this way


Em que mundo as pessoas acham que ter filho é o ápice do sucesso pessoal ? Em que planeta esses grandes tolos se enganam desta maneira, pondo em risco a sanidade mental de pequenas pessoas ? Um filho não é uma possessão, é um organismo dependente, mas autônomo nas suas sensações. E os pais não são como Mussolinis, são aqueles que dão o apoio que se precisa desde sempre e até o fim de nossos dias. É por isso que se vê tanta desgraça, tudo começa nesses nascimentos mal-sucedidos. Como o meu, e o seu, e o de todo o resto do mundo.

KILLER FILMS KILLER SONGS FUCKIN DAMN KILLER PINK FLOYD AND GIANT TITLES TO MY GIANT TEXTS and such strange feelings

O que acontece quando eu ouço músicas tipo ANOTHER BRICK IN THE WALL é que eu sinto mais vontade de matar pessoas. Não sei bem se é o ritmo meio crescente, meio forte, meio animalesco, meio gritado; mas parece que dá vazão aos meus sentimentos assassinos. Nem meus amigos eu respeito. Nem as fragilidades daqueles que eu sempre tento proteger da real pessoa que sou. Então venho escrever nesse blog estranho, que eu sei que muitas pessoas que nem me conhecem direito lêem, e tudo o mais. Mas nem a perspectiva de abrir minha psicopatia me faz parar. É como dizem por aí: "não existe tentar, ou você faz ou não".

a pedra do reino

Na ocasião de seu nascimento, seu amado pai, o rei, mandou que fosse posta uma pedra de quartzo rosa de 3 metros de altura no ponto exato que marcava o centro do reino. Daquela pedra também foi retirada uma lasca, com a qual se fez um pingente que ela passaria a carregar onde quer que fosse. Fora criada pra acreditar que seu cordão a ligava à pedra do reino da mesma forma que seu sangue a ligava à terra do reino. E sendo assim, ela nunca iria longe o suficiente, pois lugar nenhum seria o bastante para mantê-la afastada de si mesma por muito tempo. Todos os aldeões tinham também a obrigação de regar a pedra do reino com água e sal, pois o rei acreditava piamente nas leis sobre magnetismo e radiestesia; inclusive a teoria que falava sobre o verde negativo. Entretanto, nada disso impediu que a princesa, 20 anos mais tarde, se matasse com a ponta afiada de seu pingente de quartzo rosa. Pois veja bem, nem mesmo um pai amável, nem mesmo todas as teorias do mundo, sobre força e reação, contém a alma sufocada de alguém que já nasceu com tudo selado e amarrado pelo destino.

Sobre a copa.

Até eu me vejo presa nesse disse me disse, nesse bafafá verde e amarelo. Pessoas em todos os cantos obsessivas com a tal da copa. Blergh. Para mim não faz a menor diferença, não sou patriota, defendo uma nação globalmente unificada. Para mim as escolas não deveriam parar, os bancos não deveriam parar, as pessoas não deveriam parar. Para mim, a copa não passa de desculpa pra festejar um pouco mais. E pra que festejar, se a cada dia que passa as coisas vão mais fundo em direção ao buraco ? Sejam espertos, esqueçam Dunga e as bolas e o gramado e pensem mais nas pequenas coisas que devem ser feitas pra salvar o mundo dessas catástrofe iminente. Ou serão todos pegos com as calças e a taça na mão. Sabem como é.

domingo, 30 de maio de 2010

alive he cried


touch me ♫

shaman shaman shaman

How i love you (♥)

we are lost control -

      Às vezes a vida nos guia por meios que não conhecemos, às vezes cometemos pequenos erros, às vezes machucamos quem mais amamos. No mundo inteiro. Todos os nossos atos cobram preços, tudo que fazemos nos deixa marcas. Vivemos em constante depedência um do outro.
    O amor é o que há de mais profundo entre duas pessoas. O amor nos liga de uma forma irrecuperável. Não se esquece o amor, não se supera o amor. Por mais difícil que seja, por mais dolorido que seja, você nunca diz "não" ao amor de sua vida. Não pra valer. Ele mora pra sempre dentro de você. Seu passado, presente e futuro irrevogavelmente selados com um único nome. Sua vida, rota alterada por uma única pessoa.
      Não importa o quanto se fuja da verdade, ela sempre se faz clara. O amor é o que há de mais intenso e indelável no planeta. Nem sempre ele é puro e calmo e quieto. Muitas vezes é o amor que mata as pessoas por dentro. Falta de sintonia, relação perdida. É o amor que nos separa, de novo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010


Olhe como eu teorizo. Como vivo em ciclos extremos de observação, percepção, registro e explosão. Veja, perceba; como eu falo obsessivamente em voar e nem mesmo tenho asas. Como minha alma forja coisas que eu nunca vivi. Me pergunto como posso familiarizar com vermelhos ciganos de veludo; laranjas terracota de Dalai? Eu não estava lá. Nunca estive. Nunca estarei. Minha maldição é amar o que não existe. Perdurar entre os recortes de uma existência planejada. E justo eu, que tanto falo sobre a liberdade... Talvez seja culpa do tal "sistema", como dizem. Mas se o sistema somos nós, controlado por nós, superestimado e amado por nós, como dele poderemos reclamar? Eu chamaria meu braço de inútil, cortaria fora pedaços da minha própria carne? Ou aprenderia a utilizá-los da forma mais benevolente possível? Talvez o maior fardo da humanidade, meu maior fardo, seja aprender a conviver com as qualidades e os defeitos. Aliá-los e correlacioná-los perfeitamente dentro das fronteiras da vida. Entretanto é sabido que o equilíbrio tende a ser mais inalcançável do que as dúvidas. É uma linha sistemática invisível. É o viver, sabe... Não dá para simplesmente desisitir no meio do caminho.

O que você está fazendo ?


Eu sei que existem todos os tipos de escritores. E que os que escrevem o fazem por todos os motivos do mundo. Sempre distintos. Alguns deles, levianamente. Para passar mensagens, é o que dizem. Para pintar no céu todas as cores da ventura, tecer o mundo em palavras de amor, etc. Para mim, tudo isso não passa de clichê. Tentam ser poetas. Tentam ser artistas. Preencher o vazio de suas almas com palavras. Acontece que não se escreve para preencher, se escreve para escoar. Se escreve porque não há ainda no resto do mundo as coisas que existem em você. Esses falsos ecos literários falam de coisas absurdamente bobas, você sabe. Mais precisamente, falam de coisas, e as transformam então em bobagens. E sim, há bastante diferença entre um ato e outro. O problema não são as coisas escritas, as coisas sobre as quais se fala, e sim quem o faz. O problema nunca é das palavras, e sim do escritor. Talvez seja eu aqui a amarga, talvez seja eu aqui o problema; veja, vivencio meus paradigmas. Sou minha própria e exata cobaia.

Não é preciso que se acredite nessas coisas:


Quando nos iniciamos na radiestesia, aprendemos, antes de mais nada, que todos os corpos emitem certas ondas ou radiações. A superfície terrestre está envolta em duas redes paralelas de forças, uma subterrânea ou telúrica, e outra superior ou cósmica. Em alguns lugares, devido a acidentes geográficos (vales, corredeiras, etc.) ocorre um desequilíbrio entre ambas as forças. São nestes pontos que acontecem manifestações "místicas", como possessões ou experiências de iluminação divina.

Mas também não faz mal permitir à mente que as conheça. Já diziam os antigos ancestrais: saber e conhecer todas as coisas não faz mal algum. Na verdade, o absoluto engradece, quando usado com sabedoria.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

about the naming procedure.

Nesse mundo existem todos os tipos de pessoas possíveis.
Há aqueles que fazem questão de assinar seus nomes com toda a pompa e circunstância do planeta. Fulano de Tal, eles dizem.
Muitas vezes o sobrenome de alguém vale mais do que aquilo que há por dentro. Não preciso estudar, sou um Maldonado. Pra que ler, saber do mundo? Só o que me interessa é meu palacete Facciola.
Talvez isso explique porque eu uso tantos pseudônimos e apelidos, e me recuso a divulgar meu sobrenome. Não quero nem sequer saber desse tipo de status do revés. Quem sou eu ?
Tetela B. E eu estudo e leio e procuro saber do mundo. E pra mim isso é o que há de mais importante.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

runnin' blues

Quando você vaga sozinho, solitário, um deserto inteiro a sua frente, você tem consciência de todas as coisas. Numa mão, o que não existe, e na outra, aquilo que é real. E você, então, se torna tudo que está entre um lado e o outro. O meio-termo. Os extremos opostos convergem e se tornam o absoluto. E este é você.

Siouxie People.


Levante com o Sol para orar. Ore sozinho, ore com freqüência. O Grande Espírito sempre o escutará, basta que ao menos fale. Seja tolerante com aqueles que estão perdidos em seus caminhos. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e avareza originam-se de uma alma perdida. Ore para que eles encontrem também o caminho do Grande Espírito. Procure conhecer-se; por si próprio. Não permita que outros façam seu caminho por você. Esta é sua estrada, e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os do melhor alimento, da melhor cama e trate-os com respeito e honra. Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza, ou da cultura. Se não foi ganho nem foi dado, simplesmente não é seu. Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

Respeite os pensamentos, desejos e palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem os ridicularize. Não aja rudemente, nem os imite. Permita a cada pessoa o direito da expressão pessoal. Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você colocar para fora no universo sempre volta multiplicada. Todas as pessoas cometem erros. E todos os erros podem, e devem, ser perdoados.

Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o otimismo. A natureza não é para nós, ela é uma parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família Terrena. As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lições da vida. Quando forem crescidos, dê-lhes espaço para que cresçam.

Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada aos outros nunca faz bem. Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do universo. Mantenha-se equilibrado. Seu mental, seu espiritual, seu emocional, e seu físico, todos necessitam ser fortes, puros e saudáveis.

Tome decisões conscientes de como você é e como reagirá. Seja responsável por suas próprias ações. Respeite a privacidade e o espaço pessoal dos outros. Não toque as propriedades pessoais de outras pessoas, sem permissão ou sem a relação de intimidade necessária para tanto.

Comece sendo verdadeiro consigo mesmo. Se você não puder nutrir e ajudar a si mesmo, você não poderá nutrir e ajudar os outros. Respeite outras crenças religiosas. Não force suas crenças sobre os outros. Compartilhe sua boa fortuna com os outros. Participe com caridade.


fonte: http://akhen777.wordpress.com/2007/11/24/os-20-principios-para-se-viver-bem-dos-sioux/

Bem vindo ao mundo misterioso.

        Saindo da terra surgiu-me um espectro, vermelho. O mais curioso era o fato de que seu pescoço e rosto não existiam, e o corpo terminava conectado a lugar nenhum. Talvez por este motivo usasse uma máscara branca, era sua forma de demonstrar as expressões e sensações. Disse-me “Olá”. Sua voz era mais um sussurro frágil e envolvente do que fala. Mesmo eu sendo apenas um pequeno garoto, conseguia compreender o que ele realmente era: misterioso.
        Então eu lhe perguntei quem era, e a resposta que ouvi não foi exatamente concreta. “Sou um anjo”, ele me disse. “Mas qual é o seu nome?” Eu insistia. “Satan”. Foi neste momento que eu percebi que aquilo não era um sonho ruim, mas um processo de glória, um momento de celebração interna. O espectro provou que conhecia muito bem minha alma, pois me questionou o que havia de errado, ao que eu insisti que não era nada. “Apenas é um nome um tanto estranho para um anjo”, disse-lhe. Ele me convidou a entrar no que chamava de Mundo Misterioso, um lugar onde tudo era o centro de tudo e todas as coisas estavam correlacionadas sob o julgo de Satan. Era como uma ilha.
        Com um gesto, ele fez surgir ao longo da terra flores, cipós, grama, todas as pétalas coloridas do mundo. Uma profusão de natureza. Tentava me impressionar. E conseguia cada vez mais. “Como você aprendeu a fazer isso?”. “Eu não aprendi, na verdade. Isso vem naturalmente de mim, como outras coisas curiosas. Está com fome?” Eu estava. “Que tipo de fruta tu gostas mais?” Gostava muito de maçã, e antes que eu pudesse dizer-lhe, três delas surgiram em minhas mãos. Enquanto eu me ocupava comendo minhas maçãs, Satan fez surgir no meio da ilha um pequeno castelo de barro. Pediu-me que modelasse pessoas com bolotas de barro que ele me entregava. Pôs todas as minhas criações juntas e com um simples toque de suas mãos, elas criaram vida. Era interessante e instigante ver meus miúdos homenzinhos vivendo pacificamente no meio daquela ilha salutar.
        Então ele modelou um pequeno boi, que foi posto no meio de dois dos meus bonecos, e imediatamente eles começaram a disputar o bovino. Satan observava a briga, verdadeiramente intrigado. “Acho vocês humanos muito interessantes. Mesmo sendo uma raça inútil e gananciosa.” Os meus homenzinhos agora travavam uma verdadeira guerra em seu pequeno mundinho, e o barulho era realmente horrível. “Que som irritante que tem!” A máscara de Satan refletia sua irritação, e com uma mãozada ele achatou todos os meus miúdos. “Tolos. Este planeta é com certeza fascinante. Estranhos mortais com estranhos costumes. Que tal um terremoto agora? Você tem que estar atento, se manter fora do perigo.” E mais uma vez ele agitou sua mãos, só que agora não mais criavam coisas e sim destruíam.
        O toque de Satan destruiu o que restava do pequeno mundo de barro. “Não posso fazer nada de errado... Se nem ao menos sei o que é errado.” “Você os matou!”. Eu o acusei. “Não ligue para eles. Estas pessoas não têm valor. Podemos fazer mais deles se precisarmos”. Dei meia volta e corri. Nunca soube se tudo não passou de um sonho estranho. É o que acontece quando você é mais estranho ainda.