qualquer coisa grite meu nome:

quarta-feira, 26 de maio de 2010

"The boy... tá ligado? hm, vamo lá."


             Na floresta, o tigre faminto, o garoto e a garota. E o tigre. O garoto era gentil. E o tigre? Whoooaaa. O tigre tentou comer o garoto, e ele teve a idéia de dar a garota para o animal.
           "Cátion do primeiro, ânion do segundo, Cátion do segundo, ânion do primeiro."
            O tigre era engenhoso, e criou e cativou a garota na sua prisão. E ela viveu lá por dez anos. E o animal não deixa a garota partir. E o animal não deixa a garota partir. E o animal não deixa a garota partir. Precipita!

"Não, não, tá quase pronto. Só falta mais o nome. É, acho que é mais por aí. Porque eu prometi pra todo mundo que a música ia ter mais de sete minutos."
             E quando o garoto foi à prisão e resgatou a garota, ela chorou e chorou. Ela tinha medo de voltar àquela vida perigosa, com todas aquelas pessoas estranhas, e todas aquelas más sensações.

"Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês tem coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado. São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem. Vocês não tão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada!"

terça-feira, 25 de maio de 2010

charlotte

surfing

Alguns nascem para o suave deleite; outros para os confins da noite. Há ainda aqueles que transitam eternamente; cujos opostos se atraem. E o verdadeiro amor é aquele que permanece no seu coração para sempre. Aquele que mesmo mudando de acordo com as adversidades emocionais, permanece. É um amor que não exige nada além de amor. Que sabe que a ausência definitiva dói mais do que a perda de espaço. Veja bem, este não é burro. Talvez um pouco cego e cansado, mas jamais burro.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Ringuetes.

i am only a boy

O Ringo era o único dos olhos azuis. O mais experiente. O que tinha o humor mais estranho, fluido. O que nunca brigava a toa. E veja bem, quantas fanáticas pelo Ringo você por aí?

domingo, 23 de maio de 2010

suiciniv ot

when you're strange

                                        Às vezes as pessoas sorriem pra você nas ruas, mas o que sentem por dentro é vontade de te comer. Destroçar o que quer que te faça mais brilhante do que elas são. Muita gente chama isso de inveja, mas não é bem assim. A questão é que todo mundo tem medo e inseguranças e nem todos correm os riscos que precisam. E quando você não corre riscos, não existe. A vida não passa de um passeio divertido e não cobra seus preços. E você morre tarde e não fez diferença nenhuma, no fundo, no fundo. E por isso essas pessoas agem como algozes, porque não conseguem dominar a força que te faz mais triste, mas maior. E elas te matam com palavras gentis e falsos sorrisos.
You put me and guilty
At the same side of the pocket
And now I feel bound
Living this way, alive rocket


-
El mosquito me páza, zmm.
No tiengo preocupácion o tension of writing that all right.
Consider enigmas, enigmatic, all diversion.
Who can compreender me?
Yo soy joy.

m u s i c

Eu escuto a música. Vindo de algum lugar que não consigo perceber claramente. Mas, ainda assim, é tão forte seu andamento, pura matemática, que capta minha concentração. Na verdade a música, você sabe, é tão mágica que precisa de todas as suas orelhas e todos os seus cérebros e quantas personalidades houver para decodificá-la.

Todo amor vale a pena ?

Sacrificar seu tempo vale a pena? Cortar os pulsos, ganhar cicatrizes? Ligar chorando porque não aceita um não? Eu achava que você era muito maior do que isso e confesso que fiquei chocada quando ouvi seu passado. Sua alma é realmente muito, muito, muito pequena sabe? E é aí que eu entro com meus dualismos. Sinto que é uma sorte você ter endurecido esse coração, ou eu nunca ia me entender contigo. E ao mesmo tempo sinto que é um grande azar eu não ter sido sua primeira. Se eu fosse, hoje você seria muito diferente, provavelmente pra melhor. Mas eu aprendi que não tem sentido te encher de frases cheias de sentimentos, porque você não os compreende e então foge de mim. Todo amor vale realmente a pena, mas nem sempre faz bem e nem sempre é pra dois.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

about life

Como se torna possível culpar aquele que é tão confuso quanto você ?
A culpa, ou não é de ninguém ou é dos dois.
A culpa, na verdade e, veja bem, paradoxalmente, é dela mesma pois não existe.
Desentendimentos ocorrem o tempo todo e o sábio não se apega às soluções drásticas.
O sábio reflete e aprende.
Mas perdoa os faltosos.
Porque o próprio o é.

nthng -

               minhas mãos, o que seria de mim sem elas?
     talking a walk alone in s a v a n n a h is asking for trouble.

reggae town ~

                    My kids are waiting for you
               my life goes away when
                    you are not near
               i know i am such a fool
                    a lonely bogaboo
               for denying the fellings
                   
 that are true

killing loneliness

        Meus anéis ainda têm seu cheiro. As roupas que a gente dividiu guardam as formas do teu corpo. A minha cama ainda range de noite, quando eu procuro você e você simplesmente não há. Tudo dentro e tudo fora de mim grita teu nome. Nas ruas, bares, desenhos, nos meus textos, seu fantasma a me atormentar.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

her brain cancer


Ela não queria mais ouvir, sequer uma palavra. Era mais fácil quando tudo parava. Os carros, a música, o tempo. E ali ela ficava, sentada. Observando as cores e os raios que passavam lá embaixo, apostando uma corrida cega contra a noite. Não era mais preciso pensar nas outras pessoas, no resto do mundo. Ela agora podia fingir que nada existia. Que ela não existia. Que o universo não existia. Que até a noite, evidente, não existia. Era mais fácil, afinal.

radio dada

                           Estação 2121; microfones, flores, café, bigodes, tintas a óleo, Duchamp e um jovem Dalí. Todas essas que se reúnem e noticiam o movimento "cavalo de brinquedo", o momento Dada. Desconstrua, exceda, transceda, floresça.
                                    Pegue suas cores, suas formas, salpique as telas com explosões. Explosões que destroem o Nouveau. Explosões que desprezam o tradicional, que quebram as colunas de texto. Explosões que celebram o dadaísmo.
                                                      "All we hear is Radio Dada"

terça-feira, 18 de maio de 2010

Para Hans.

         Você sempre me contraria, qual é o prazer oculto nessa prática? [...] Ah, com certeza aquele que tenta iluminar a percepção alheia sempre morre em meio a chamas. Não estou reclamando, e é óbvio que se tratando de fogo e chamas é você mesmo que eu vou chamar, oras essa. Sou egoísta. E, veja, se você e eu discordamos num ponto, ambos teremos que reconhecer que um dos dois está certo e o outro, obviamente enganado. Isso significa que a ilusão existe para um dos lados, que pode ser o meu, ou o seu. Também significa que o iludido jamais reconhecerá este fato. O que no fim nos leva a crer que a verdade permanecerá incógnita. Uma verdadeira graça do destino, não é mesmo? Eu o adoro.
         Não. Eu não acho que exista algo neste universo que consiga me pôr na linha, porque veja, eu a ignoro deliciosamente. Adoro mesmo ir contra qualquer coisa sensata. Até faço de propósito, muitas e muitas vezes. E você? [...] Ah, vale sim a pena atribuir as culpas, somente desta forma podemos pensar em punições. Castigos. Pequenas torturas. Eu e vocês estamos sempre disputando alguma coisa, adoro. O destino meu querido, não passa de um amante inexperiente, veja bem.
         Uma vez, eu percebi que quando você encontra uma pessoa que te completa, ideológica, fisiológica ou imoralmente, sempre há de se admirar com as coisas que ela diz. Mesmo que no fundo experimentem o mesmo tipo de sensação, e o que ela te diga não seja nada novo. É esse tipo de pessoa que te faz dizer mais de uma vez "vamos dar as mãos", e eu não estou aumentando nada, pode analisar a questão. Sim, talvez tenha puxado a sardinha pro meu barco, mas meu querido, já disse que sou egoísta.
         Que engraçado, eu sou tão fã de martírio, torturas, que até o péssimo pode se tornar atrativo, mas claro que isso não é regra geral. Depende muito do algoz, na verdade. Espero que aconteça lenta e demoradamente, mas que a cada segundo seja perpetrada de explosões. Minha experiência diz que isto não é impossível, e você deve lembrar bem. E, veja Hans, sadismo é algo que realmente me encanta, especialmente quando refinado e excitante como o seu. Todo comportamento é válido, mas só os tipos certos me capturam.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

love will tear us apart again.


...ninguém se surpreende com nada e também tem muito tempo que não produzo nada decente.

Para Jão.


Você e eu sabemos muito bem que as palavras LOVE, TEAR e
APART são como irmãs gêmeas megeras.

i am pain because of your fear

Minha vida se constrói por cima dos pedaços dos meus amores. O perfume de um, as músicas do outro. Aquele que me faz rir, o que causa meu choro e assim por diante. Mas sou estúpida por não construir as coisas por cima de mim mesma, porque quando os outros vão embora (inevitável), não me sobra nada exceto saudades. Dor. Lamentos. Sou triste e sozinha porque inconscientemente escolho ser assim.

Brian Cogumelo

Trabalhar aqui não é de todo ruim. Tem uma placa com meu nome na mesa e todo mundo sabe meu lugar. É a primeira vez que eu não tenho que competir por algo nessa vida.

Das casas de governo -

Sinto falta de ser requerida, estimulada, precisa. Sinto falta das casas de artes e cursos livres. Locais para onde iríamos a fim de aprender um pouco mais de tudo ao mesmo tempo. Talvez não de uma forma rígida, com notas, espaço duplo e normas da ABNT, mas de uma forma mais livre, uma geração passando seus ensinamentos para a outra. Eu realmente compreendo que enxergo a vida de uma forma mais idílica e utópica do que ela realmente é. Talvez seja essa minha psicose. Meu problema. Minha droga.

domingo, 16 de maio de 2010

Não consigo deixar de sentir medo por nós dois -

Não mesmo.
Nem pelo mundo, de uma forma geral.
Mas eu acho que isso se resolve, não é ?
Tudo sempre se resolveu.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

"Vocês não entendem nada" para Vinícius.

     Quando ele morreu, três meninas lhe escreveram cartas de despedida que eu li. E chorei. Muito. E eu nem sabia de nada. De quem ele era, e como ele era grande e pequeno e amedrontado ao mesmo tempo. Até hoje tudo isso mexe muito comigo, me sinto estranha quando penso nele. Porque é como se existisse uma ligação, mas que na verdade não sei de onde surgiu. Porque no fundo, no fundo mesmo, ele não é diferente de mim, de você, da sua irmã, ou das outras pessoas como nós. E a gente sente isso, e fica pensando que se talvez ele tivesse encontrado pessoas que lhe dissessem que tudo fica melhor... Ele teria... Talvez.
     Sei lá, mas o que faz diferença na tua vida são as pessoas que você encontra e de que forma elas te passam as cargas que possuem. As impressões de mundo. E aquelas que pensam que marcas e roupas e festas exageradas e coisas assim, são mais importantes do que isso... Fogem da verdade, porque não conseguem vê-la. No fim, todo mundo é nu perante aos outros, mas alguns de nós usam vendas que os tornam cegos. É... É a diferença entre existir e viver. E nem sempre quem tem mais idade viveu mais. E nem sempre a idade é o tempo que teu corpo conta, às vezes a idade é muito mais as coisas que tua alma já enfrentou.
     Querendo ou não, as pessoas acham que quem fala de suicídio é uma chaga, uma mancha no sonho da família feliz. E nem sempre é assim, mas todos ficam com medo de falar sobre isso, é um tabu. Você começa a conversa e aí ficam com medo e tentam te persuadir que “passa”. Passa nunca. Passa nada. Se você nasce diferente, como a gente, nasce sem a venda e consegue ver as coisas que estão invisíveis pros outros. Mas aí você tem que pagar o preço. E o preço é não ser aceito, é se sentir sempre deslocado no mundo, não se entender. Ser confuso. É sofrer, pensar mais em como deve ser a morte do que como é a vida de fato. Mas também somos as pessoas que mais podem amar no mundo, e a nossa sorte é se aliar com gente como a gente.

he

she wanted to be sure if they knew what life was like
so she put lot of drugs inside the water pipes
and while everyone was dancing around the town
she discovered life is as big as the crown
of the highest king
and it all lingers still
between the dancers and the fire
one possesses the another
till the end and we all fall down

missing things


gotta keep on risin - mr mojo risin

vendra (L)


quinta-feira, 13 de maio de 2010

Cut Like a Buffalo - DEAD WEATHER

You can hit me if you want to Você pode me bater se quiser
Do whatever makes you happy Faça o que te faz feliz
But don't take it easy on me Mas não pegue leve comigo
'Cause I don't know how to take it Porque eu não sei como fazê-lo

concordo com ele:

Depois de ter saído da guerra vivo (mas sem uma perna), eu resolvi voltar.
Não dá pra se entregar. Nunca. Parece que eu já vi esse filme.
O final é tão óbvio que chega a ficar misterioso. Ócio.

Esteban (Tavares).

quarta-feira, 12 de maio de 2010

love is like a gun, damn it !

Sei que tu me destes: muitos sorrisos, muito choro. Lágrimas, vida, cores. Etc etc etc. Mas não compensa tudo que você roubou de mim, na verdade. Minha juventude, minha inocência, minha coragem de amar. Antes de nós dois, eu no fundo acreditava que era possível uma relação saudável. Agora, na verdade, eu sinto que todos os amantes brigam e vivem entre tapas e beijos. E o amor deixa de ser cuidado e passa a ser necessidade. Não quero isso pra mim, na verdade. Até acho bonito, mas nas telas de cinema e nas capas de livro. Pra minha vida só preciso de quem cuide de mim. E de quem eu possa cuidar mutuamente, sem tanto drama. Contraditória não ?

S i m.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

touch me -

WHAT WOULD IT BE ?!
Come on, come on, come on, come on now, touch me, babe. Can't you see that I am not afraid? What was that promise that you made? Why won't you tell me what she said? What was that promise that you made? Now, I'm gonna love you 'til the heaven stops the rain. I'm gonna love you 'til the stars fall from the sky for you and I.

Daqui ninguém sai vivo.

my love
Penetrar nas coisas não era realmente do interesse de Jim. Passar adiante ou ao lado das coisas não era do interesse de Jim. A única motivação de Jim era atravessar tudo. Ele tinha lido acerca dos outros que o tinham feito antes, e acreditou que era possível. E quis levar-nos com ele. "Estaremos dentro dos portões ao anoitecer", cantou. Os primeiros e escassos anos mágicos da vida dos Doors não eram mais do que visitas abreviadas a outro lugar levadas a cabo por Jim, a sua banda e o seu público - um território que transcendia o bem e o mal; uma paisagem sensual, dramática e musical. É claro, a derradeira investida para o outro lado é a morte.
É possível andar na cerca entre a vida e a morte, entre "cá" e "lá" por muito tempo. Jim fê-lo, acenando freneticamente o seu braço para que nos juntássemos a ele. Tristemente, parecia precisar mais de nós do que nós dele. Seguramente, não estávamos preparados para onde ele nos queria levar. Quisemos observá-lo e quisemos segui-lo, mas não o fizemos. Não podíamos. E Jim não podia parar. Assim, seguiu
sozinho, sem nós. Nunca mais haverá alguém como ele.

DANIEL SUGERMAN
Beverly Hills, Califórnia
22 de Março de 1979

domingo, 9 de maio de 2010

mom's day

Mommy, i don't get you. How can you be so stupid ? Why don’t you just leave me to die ?

darko; 28:6:42:12

mad world
Você não pode dividir a vida em dois extremos, e fingir que quem não os conhece está errado. Tudo sucumbe e o tempo todo tudo morre e acaba, para ressurgir em outro lugar. E quem não compreende a metáfora da beleza incógnita não merece conhecer a verdade. Eu me sinto tão cansada, tão cansada o tempo inteiro. E uma imensa bolha de dor nasce em todos os pontos do meu corpo, e eu sei que de qualquer forma ela me machuca. Eu fico triste por ser assim, mas eu me encaixo, entendo que esta é a minha verdadeira forma. E quando me entrego à felicidade, simplesmente não pertenço a lugar nenhum. Então sou duplamente vazia. Todas as criaturas vivas morrem sozinhas.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Suicide Song - Yoñlu

Essa música me faz pensar em nuvens. Algodão. Dor. Você e eu. Você sem mim, eu sem você, e nós dois juntos. Um monte de coisas.

Sobre velhos depoimentos de 2008.

Fui reler nossa história e vi o quanto eu mudei. Era tão jovem e tão boba e sentia ciúme das besteiras que você fazia, tão fútil. E pedia perdão por coisas que não deveria, porque não eram culpa minha. Aliás, ainda hoje é difícil pra mim ler aquelas palavras antigas, lembrar de todas as suas amigas. Algumas que eu sei que você ama bem mais. Já te disse um milhão de vezes que eu não sou fácil de lidar, e já provei um milhão de vezes que não vale estar comigo, mas o sentimento, esse maldito, insiste. Mesmo que só da minha parte.

Concatenação -

Em todos os teus atos da vida real, desde o nascer até ao de morrer, tu não ages: és ágido; tu não vives: és vívido apenas. Torna-te para os outros uma esfinge absurda. Fecha-te, mas sem bater com a porta, na tua torre de marfim. E a tua torre de marfim és tu próprio. E se alguém te disser que isto é falso e absurdo não o acredites. Mas não acredites também no que eu digo, porque não se deve acreditar em nada.

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, p. 81.

Rajneesh -

Quando você tem alguma coisa, você gosta de dar - lembre-se desta lei: você se prende a alguma coisa só quando não a tem realmente; se você tiver poderá dar. Só quando você se sente feliz por dar alguma coisa é que você a tem. (A SEMENTE DE MOSTARDA)

Paradoxo

Olhe ao seu redor - as pessoas que você acha boas, quase sempre são fracas. A bondade delas não vem da força, vem da fraqueza. Elas são boas porquem não ousam ser más. Mas que tipo de bondade é essa que vem da fraqueza? A bondade tem de surgir de uma força transbordante, só então é boa porque ela é vida. Assim, sempre que um pecador se torna santo, sua santidade tem sua própria glória. Mas sempre que um homem comum se torna santo por causa de sua fraqueza, sua santidade é pálida e morta, não existe vida nela. Um homem que é bom porque não pode ser mau, não é realmente bom. No momento em que se tornar forte, será mau; dê-lhe o poder e imediatamente estará corrompido.


(B S Rajneesh, A Semente de Mostarda, pp 125-126)

quinta-feira, 6 de maio de 2010

locked in a prison of your own devise

Ah, sobre o amor. Sobre o amor escreveram poetas e contos e causos e sobre o amor tento manifestar meu tenro descaso. E não consigo em desespero contê-lo, elétrico e pulsante e vibrante, vívido, e não consigo encasulá-lo nos cantos obscuros da minha alma. Meu amor é ritmo de blues e foge das minhas pretensões old school. Até meus textos são manifestos prosaicos de romances inacabados. E minhas lágrimas e meus risos e meus gritos resultados dos sentimentos enjaulados. Sou menos livre e mais livre do que eu pensava.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

jealous lover

- Amor, você não pode ter ciúmes de todo mundo que eu conheço.
- E porque não ?
- Porque são muitas pessoas, e você tem que apoveitar melhor seu tempo.

kiss of fist


you hit me once, i hit you back. a kiss of fist is better than none.

the end of our elaborate plans

come on come on come and touch me baby
Sirenes. Testa quente. Cansaço. Tudo isso me inebria e me dopa, faz de mim um pouco menos do que realmente sou. E me chamam de maluca, amor. Chamam mesmo. Dizem que comi seus maneirismos. Talvez estejam certos, mas isso não faz de nós dois menos lindos juntos.

terça-feira, 4 de maio de 2010

desestrutura

senti imensa vontade de dizer-lhe: honestamente o que mata tua poesia de latrina, marginal, são essas rimas. corta as rimas fora. nenhum marginal de verdade tem tempo pra procurar ãos e eins no texto. mas eu não sabia se ele compreenderia que a poesia se alimenta de ritmo e não de pares. às vezes as pessoas não são sensiveis o suficiente para saber. tristeza.

woman is the nigger of the world

Os homens sensatos, em sua maioria, têm medo das mulheres. Pois eles não compreendem de forma alguma do que elas são feitas. Não compreendem porque uma mulher insiste em cuidar de seu amado como se este fosse quase seu filho. "Não coma demais, olha o colesterol, essa roupa tá furada, olha o frio" etc etc. Não entendem porque as mulheres insistem em se criticar tão arduamente e passar a mão na cabeça de todo o resto do mundo. Porque tentam equilibrar todas as coisas numa unidade só, serem quase perfeitas, fazer de tudo.


Oras, porque as mulheres são simplesmente assim mesmo, tão incríveis.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

caninos

hey bulldog!
Eu olho o cachorro, ele me encara. Ambos assustados, um com a condição do outro. Na verdade nunca vi cachorro assim. Não que seja belo, mas seus grandes olhos brilhantes parecem saber que eu escrevo sobre nós dois. Sobre o medo de estar sozinho. Pelo menos eu entendo que enquanto ele estiver aqui, estarei bem. Porque o cão é a única testemunha da negra noite prestes a me devorar.

ereções, ejaculações e exibicionismos - parte 2

- O que é que você prefere ? Ser rico ou ser artista ?
- Prefiro ser rico, pois parece que o artista está sempre sentado diante da porta dos ricos
-
você também não gostaria de ser Charles Bukowski ? sei pintar, inclusive. levantar pesos. e a minha filhinha pensa que sou Deus.
mas tem outras horas em que não vale a pena.
-
e eu conheço outro cara que diz que "não há nada de errado com a guerra". mas, puta que pariu, eu preciso continuar alimentando as minhas neuroses e preconceitos porque é só o que eu tenho pra me defender. Não gosto de drogarias, nem de bares de universidade, de pôneis Shetland, da Disneylândia, de guardas que andam de moto, de iogurte, dos Beatles, do Charles Chaplin, de persianas e daquela baita mecha de cabelo maníaco-depressivo que cai na testa do Bobby Kennedy... puta merda -me virei pro profe-, este cara aqui edita meus livros há dez anos, centenas de poemas, e NEM SEQUER SABE QUEM EU SOU!

domingo, 2 de maio de 2010

my generation

O mundo é impiedoso. Deu muita boca pra gente que nem sabe usar direito. É uma protuberância de lábios vermelhos que se abrem e fecham continuamente, fazendo com que o ar reverbere e a voz forme palavras que não passam de amontoados de besteiras. É exatamente como eu li uma vez: entre os que não falam nada, poucos são os que ficam calados. E aqui estou eu, novamente amargurada com a minha geração.

sábado, 1 de maio de 2010

ham on rye -

"Eu não tinha interesses. Eu não tinha interesses por nada. Não fazia a mínima idéia de como iria escapar. Os outros, ao menos, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Freqüentemente me sentia inferior. Queria apenas encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. Mas não havia lugar para ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho. Sentia que o ideal era poder dormir por uns cinco anos, mas isso eles não permitiriam."
Hoje em dia parece que ninguém mais domina a língua. As pessoas escrevem e falam tão errado. “Tais tão bonita Bruna”, eles me dizem. Essas coisas, essas coisas. E o que isso significa afinal ? Porra nenhuma, eu só falei porque fico triste, só isso. Não vai fazer diferença se tem um "i" a mais, um ponto a menos. Mas que é triste, isso é.

todos sucumbem

O motorista do bonde! Os maquinistas dos trens! Meu Deus, e agora?

sexta-feira, 30 de abril de 2010

um ano -

De 365 fatos se faz muitas vezes uma vida. Ou menos que uma vida, medíocre e perdida. De 365 palavras se faz um micro conto (e, em tempos de twitter, com muito menos se faz um falso poeta moderno). De 365 pessoas se faz uma pequena socidedade, e de 365 músicas se faz uma obra-prima. Com 365 cores se compõe um universo. E com 365 dias eu fiz meu mundo neste blog.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

beck -

it's nobody's fault


but my own



but my own

Para Charlotte, pensamentos hedonistas pessimistas. E que ela me perdoe.

After falling, my head stopped thinking and for the first time in my life I said thank you for something. Now I just find myself lonely and tired of trying.

-

O cheiro de sangue nunca me atormentou. E você ? Será que já sentiu esse cheiro bem perto, tão perto que deu vontade de lamber a mão que te estendiam ?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

visit it:

http://www.ouivo.com/
http://clubedos27.blogs.sapo.pt/2004/12/
http://clubedos27.blogs.sapo.pt/arquivo/curr_jim.html
http://www.harsanari.com/images/FreeFolkIllustrationWeb.jpg

o uivo do lobo maldito.

Me conte a sua história, desde o dia em que troquei de pele para te tocar. Me conte a sua história, eu já sei que te conheço, mas eu quero te inventar. Quero sempre mais, mais, te quero sempre mais.

360 horas

Mas é certo e aparente que minha obsessão por ti se faz estridente como os corvos da bastarda. E que tal como pássaros, alados, logo você também irá embora. Eu canso. Eu cansei. E você passa feito água e sal, deixando suas espumas tóxicas para trás. Me dói, em demasia, a surda consciência de que nosso tempo se foi. A vida, mon amour, é tão empírica quanto científica e você sabe que eu nunca alcanço o equilíbrio. NUNCA.

Albano Martins - from fortim.


Devias saber
que é sempre tarde
que se nasce, que é
sempre cedo
que se morre. E devias
saber também
que a nenhuma árvore
é lícito escolher
o ramo onde as aves
fazem ninho e as flores
procriam.


ossie and alice -

Ossie Clark

the clothe
the crocqui

domingo, 25 de abril de 2010

o canto dos malditos soa por sobre as ondas de sal

allen ginsberg, one of the heros of my poetry factory
Minhas pernas doem. Minha consciência dói. Saber que eu existo dói.

A vida é uma tediosa experiência materialista.

Mas antes ser espírito, ou coisa não viva, pedaço de fruta jogada na rua, jogada aos pés de quem nem vê.

Mas antes ser memória de um poeta, de um maldito. Do que viver arregaçada feito pano de manga, sob a custódia de anjos que nem crêem em Deus.
Mas antes dormir eternamente o sono da noite profunda...

Querido Mr. Sayzon

E eu tenho plena consciência de tudo que digo. Da minha vida inteira exposta em redomas de vidro. De todos os meus perigos. Eu só não sei se você sabe, que no fundo, bem lá no fundo, me pertence. Por mais livre que a tua existência se finja, você é meu. Ah, é meu sim. Danem-se todas as pequenas que acham que te dominam. Ninguém te conhece como eu conheço. Estou com sono, fim de papo.

tá tudo muito fácil hoje em dia

minha diva
Dá até pra baixar a vida de mary quant pela internet.

Mary Quant


          Mary Quant nasceu em 11 de fevereiro de 1934, em Kent (arredores de Londres). Na juventude, criava suas próprias roupas, usando retalhos de colchas e tecidos de casa. Mais tarde passaria a comercializar suas criações em uma loja na famosa King’s Road.
          Freqüentou o Goldsmith College, cursando Belas Artes e trabalhou como assistente em uma casa de chapéus. Foi em 1955 que, junto com Alexander Plunket Green (que se tornaria seu esposo) e Archie McNair, fundou a loja Bazaar. Mary dizia que a moda de sua época era “terrivelmente feia” e que sua pretensão era criar “novas maneiras de fazer roupas, com novos materiais e acessórios modernos que mudem conforme o estilo de vida das pessoas”.
          Sua sensibilidade lhe garantiu trunfos no mundo da moda, pois Mary conseguia sentir o que a juventude inconformista de sua época desejava. A invenção da minissaia é atribuída a uma parceria sua com André Courrèges, apesar de Mary insistir que na verdade a origem é das ruas.
          O grafismo de flores (mais especificamente a margarida) era comum nas suas bolsas e era o símbolo da logo Mary Quant. Esta iconografia mais tarde seria vinculada ao movimento de direito à paz, ocorrido nos anos 60, chamado Flower Power e promovido pelos hippies.
          Alguns dos mais famosos símbolos da moda da década de sessenta foram criados, inseridos e utilizados de forma pioneira por Quant, tais como:
         
          • Cabelos geométricos (uma releitura do corte dos Beatles, criado em parceria com seu cabeleireiro, Vidal Sassoon);
          • Collants coloridos e estampados com padrões gráficos diferenciados;
          • Casacos, botas e bolsas de vinil;
          • Tops de crochê (que virariam epidemia mundial, com uma série de releituras posteriores);
          • Roupas de malha canelada (aderentes ao corpo)
          • Cintos largos jogados sobre os quadris

          A moda de Mary Quant serviu às jovens estudantes que não queriam mais parecer com suas mães, pois rompia as barreiras do formal e conservador, e criava roupas que fugiam a distinção entre faixa etária. A encarnação deste ideal de moda leve, individualista, de inspiração urbana, inconformada, protestante, revolucionária e que contestava os valores até então em voga, era a modelo Twiggy, inglesa de apenas 16 anos, e primeira modelo a se tornar ídolo das massas.
          Em 1966, a rainha Elizabeth II condecorou Mary com a ordem do império Britânico, prêmio que ela recebeu vestindo uma de suas minissaias. Já no final da década de 70, a estilista estava quase esquecida, sendo obrigada a vender sua empresa e ocupando-se apenas da criação de cosméticos e eventuais designs para outras marcas.
          Entretanto, a sua importância para a história da moda inglesa (e até mesmo para a revolução cultural da década de 60) é inegável, e até hoje Mary mantém a aura de revolucionária e inconformista, dando entrevistas, circulando com seu eterno corte “cogumelo by Vidal Sassoon” e, principalmente, chique e gloriosa em belas saias (que ganharam em comprimento em respeito aos seus muito bem vividos quase 80 anos).


“o bom gosto é a morte, a vulgaridade é a vida”
“a moda deve refletir tudo que está no ar”
“a moda não vive de regras, mas de peças e idéias que possam ser combinadas como bem entendermos no nosso dia-a-dia”

sábado, 24 de abril de 2010

Todas as pessoas que sofrem por amor dizem que seria muito melhor se ele não existisse. Eu não. Na verdade, o que mais queria era que o amor, puro e verdadeiro, como ensinado pelas nuvens e pelo tempo passado, existisse de verdade. Que eu fosse capaz de me ligar às pessoas desta forma única, como todos os outros se ligam. Pior do que sofrer de amor é sofrer por sua ausência. É querer ter e simplesmente não ser capaz de dar.

café é melhor do que chorar

O diabo gosta de música. Alta.
Gosta de Morrison, Joplin, Hendrix, Holly, Cobain, Mercury, Jones, e todos que ele chamou cedo demais ao repouso. Gosta de mim e de você também e é por isso que mantém os olhos sobre nós dois.
Às vezes me pergunto se não é o destino do mundo todo arder em fogo para sempre. E mal sabemos que coisas doces nos esperam do lado de lá. O lado vermelho.
i better say
walking in heaven
is like floating
above your own conscience -

invisible animal

Como as vozes de um animal invisível que veste a pele de centenas de pessoas, um animal magnético e instável como a própria e inteira força do pensamento de tudo que flutua além daqui. Todos sabem que a vida não existe além de uma sucessão de dores e prazeres, e mais dores e prazeres... O maldito equilíbrio. Um curando o outro. Um matando o outro. Quem cansa não resiste, e quem não resiste morre cedo. Aqueles que se vão não sabem o que mais havia aqui. E aqueles que aqui ficam não sabem o que há do lado de lá. Resta saber qual dos dois é glorioso de verdade.
and you cant believe what it does to me see you crying


He grabbed the microphone with both hands and put one boot on the base. He closed his eyes and tugged on the microphone. First it was too high. Then it was too low. Then he opened his mouth as if he was about to sing. Then he changed his mind and closed his mouth again.
On his face there was the look of suffering of someone who knows he is too beatiful to ever enjoy the true love.
Mr. Morrison writes the lyrics, and they are filled with the tension of him impatience: "Cancel my subscription to the Ressurection... We want the world and we want it now... Deliver me from reason, I'd rather fly..."

quinta-feira, 22 de abril de 2010

oh me oh my oh mine oh morrison

oh my god of rock
oh my god of rock
oh my god of rock
oh my god of rock
oh my god of rock
oh my god of rock

sem você eu sei que sou incompleta, que sou só um pedaço.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

oh my, love really hurts #2

loving is as selfish as suicidal
Ele é meu amor, e meu desamor ao mesmo tempo.
Minha paixão e meu ódio.
Ele é o único que me faz bem do jeito que faz...
...e tão mal, que me machuca tanto.
Ah, mas é a vida essa incerteza de sentimentos e sensações.
E eu, na minha brava condição de ser humano,
não tenho o que seria preciso para saber bem o que fazer.
É assim mesmo, sempre e o tempo todo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Diego gave me a ring today.

the ring of fire

          Eu andava pelo mesmo lugar de sempre, e você estava lá pela primeira vez. Eu nunca tinha te visto antes, posso assegurar. Porque se tivesse, você saberia. Tenho que confessar: senti um pouco de medo no começo, nunca se sabe o que sai de quem hoje em dia. Mas depois... Depois ficou tudo bem.

          Você me ofereceu sua mão e eu a apertei sem medo, e acho que isso de certa forma te disse tudo sobre mim. Sobre eu sempre aceitar conhecer as pessoas, independente do que elas são. Aí você pegou o cobre e começou a forjar ali uma forma que eu nem via bem, e me disse que gostava de como eu era. Eu ri. Você me perguntou “em qual dedo ?”, e eu vi que era um anel que você fazia. Eu disse que podia escolher, e você o pôs na minha mão direita e perguntou meu nome.

- Marcela.
- Diego.


Meu amigo da rua, o hippie Diego, me deu um anel hoje.

domingo, 18 de abril de 2010

oh my


look to me through the sun. i am still here.

cogumelo amarelo

Brian, você acha que se um dia você começa a pensar que tudo que é real, e que existe, é na verdade surreal e ilusório, e que somente o que vai além é concreto e verdadeiro, você acha que significa que você perdeu a cabeça ?

Não. Na verdade é quando você começa a enxergar essas coisas que você se encontra. Que você põe a cabeça no lugar. Está tudo aí. É só saber olhar as coisas.

fire fuck fight

                    Coquetel Molotov nas veias, sim nas veias. Que se explodam essas porras de micro vasos que me mantêm aqui. Quero que tudo se foda, a vida é uma merda e eu conheço o inferno bem de perto. Não tenho do que me arrepender, eu não tenho nada pra fazer. É melhor que acabe logo tudo isso ao invés de viver perdendo tempo. E toda a ira chega borbulhando como a porra da lava quente, destruindo tudo por dentro, tudo, todos, os pedaços dos outros dentro de mim, e eu mesma inteira vou sucumbindo. E de novo só o que digo é foda-se. E de novo só o que me vem à mente é fogo. Raiva, vermelho, depressão, ódio, ira, cinzas, cigarros, o cheiro azedo do suor da corrida cega contra a noite. E eu me sinto agitada e queria poder dar uns bons socos nas caras de alguns cristãos agora. É isso, é o fim. Estou perdida.

sábado, 17 de abril de 2010

ME, SHE AND HIM - tetela b



You are the poet, I am the pen (he)
You use me, And I don’t complain (he)
Yes I know I am sick (he)
know you don’t deserve (he)
My feelings put in order (he)
As if some kind of love (song)
And I try hate you (she)
And I cant do it to you (she)
And I desperately seek for my lost friends (she)
What did you do to me ? (she)
And I only watch
your dying time approaching (he)
as the third person
in the triangle of that love song (she and him)

oh trip

                    Ah, eu tô legal.
                      Numa suíte do
                        tamanho dessa casa.
                         Eu tô doidão.
                          Eu tô numa trip marota.
             Eu vejo tudo muito louco,
            tudo muito azul.
     Vejo tudo que não existe.
E hoje eu sou feliz pela primeira vez.

Loveless.

          Meu calcanhar me aflige. Minhas tristezas. As coisas não certas, tudo que ficou dito pelo não dito. As carnes do meu corpo hoje doem. Eu até sei que isso soa triste, mas não posso contar causos que não sejam verídicos. Não posso inventar um sorriso onde habita a saudade.
          É uma situação difícil essa na qual me encontro. Odeio você pelas coisas que diz e faz, e te amo por ser quem é. Acho que fomos feitos um para o outro, mas a distância insiste que não. Você insiste que não. Não em palavras, mas seus atos... Eles me confundem. Por um lado tudo que você diz me afirma que me ama, e por outro simplesmente não. Mas não posso te acusar de nada, entendo que sejas inconstante...
          Além disso, sei que você está em outra. Que você ama outra agora. E o que mais me dói nisso tudo é o fato de que ela não te quer. Eu queria tanto que você fosse feliz, com alguém que te amasse de verdade e pudesse te dar tudo que você merece. Sim, tenho consciência do quanto sou idiota. Deveria te odiar, ter raiva de você, dizer que tudo que você merece é dor. Mas eu não sou assim. Gosto demais de ti pra sequer imaginar coisas ruins.
          E você nem sabe como é sentir tudo isso e simplesmente não poder contar pra ninguém, e chorar sozinha em casa. Ninguém merece saber das minhas fraquezas, amor. Nem você. Eu até penso em te contar essas coisas e pedir que você saia de perto de mim, mas eu não quero te perder. Eu quero ter o direito de falar contigo e fingir que quando você diz que me ama, é mais do que só amizade. Eu sei que é errado me iludir, mas eu sou assim, tão platônica e frustrada.


- You are like my best friend now, i can't lose you.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

e nem tudo na vida tem sentido.

scanner e esmalte azulrecortes de papel e celofanechave de fenda no escurosala de fotografia desmontada

music is yor only friend -

                Feche os olhos e ouça a música. Deixe que ela corra em perfeitos círculos dentro de sua mente. Em pouco, pouquíssimo tempo, ela terá te levado embora. Nada fica para trás; não há corpo, não há físico. Tudo que sobra é a sua alma, e luz. Luz num imenso buraco negro. Sempre achei que a música, e a subsequente reflexão, salvariam o mundo.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

last fm -

kisses to my icons
Nostálgico dia ouvindo Zé Ramalho, chão de giz. Se eu devaneio e deixo minha percepção andar solta, ela me traz recordações engraçadas. Cheiro de sabonete, daqueles que se usa em casa. Uma fatia olfativa da infância, talvez ?

http://www.youtube.com/watch?v=8Pb5fIw3qGk

Ai, meus ícones. Meu dia-a-dia. Minhas coisas. Meus pedaços. Cores, formas, risos e sons que só eu entendo em absoluto. As horas que passam, as pessoas que são estranhas. Tudo que me cerca, tudo que me cerca..



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Eu choro, devagar. Calada. Choro lendo nossas conversas antigas, lembrando. Lendo nossos registros. Ai amor, mas era tão bom quando você tinha seus repentes, de dizer o quanto me amava. Eu não me sinto pronta pra te deixar ir, sair da minha vida. Na verdade eu quero que você volte cada vez mais pra dentro dela.
                                        Às vezes me sinto exatamente como o pequeno príncipe. Simplesmente andando, solitária, ao redor de um mundo que é pequeno, muito pequeno. E igualmente vazio. Onde a vaidade e o ego põem tudo a perder.

Carteiro e Carnavalesco;

o homem do carnaval
                    Um dos meus avôs era carteiro, um quase carteiro-viajante. E o outro trabalhava numa escola de samba fajuta, bem escola de quintal. O primeiro às vezes roubava as cartas que não estavam com o endereço completo, que não iam chegar ao destinatário. E as levava para casa, onde meus tios e tias as liam, e aprendiam histórias de vida que mais tarde poderiam contar como se fossem suas. Com toda a propriedade de quem sabe os fatos.
                    O segundo fazia carros alegóricos cheios de plumas e dourados, e por mais que não tenha convivido muito com sua filha, minha mãe, ela também é fascinada pelo colorido do carnaval. Eu, na verdade, às vezes acho que ela lagrima em silêncio durante os desfiles na TV. Deve ser saudade reprimida. Coisas que são despertas dentro da gente pelo signo certo.
                    Os dois bebiam muito e tinham problemas. Muitos filhos, nem todos da mesma mãe. E os dois decerto às vezes ficavam um pouco infelizes, se afundavam de leve na depressão. Porque eu sinto, muito aqui dentro de mim, que nenhum dos dois fez exatamente o que queria da vida. Talvez porque naquela época você não fosse autorizado a ler o que havia dentro da sua alma, somente o que havia fora. Talvez porque não interessasse suas aspirações e sim o que fazer com uma esposa de 16 anos e filhos pequenos para alimentar. E mesmo assim eu acho lindo os que os dois conseguiram: esse flerte com a arte. Essa coisa que passou de geração em geração, até chegar exatamente aqui.
                    E por isso eu agradeço ao carteiro e ao carnavalesco beberrões, por gerarem uma família que me ensinou a amar o mundo artístico. Da literatura, dos sonhos, mundo dos sons e das formas e cores, o mundo no qual eu vivo o tempo todo. O mundo dos dois e agora também Meu.

I am MORRISON, Jim.

oh keep your eyes on the road, gotta love your man, you ar the one.

          Ah, ninguém entende o que eu sinto. Dizem que é coisa de adolescente, mania que passa, que não fica mais. Uma procura por espelhos, essas coisas de quem não compreende o que é amar de verdade. Todo mundo insiste que quando digo amo, quero na verdade dizer que quero, uma relação carnal mesmo. O que nesse caso é impossível. Então dizem que sou louca. "Ele morreu há mais de 30 anos Marcela.." Eu sei disso muito bem, eu sei disso o tempo todo, eu não estou alucinando com uma reencarnação, eu nem acredito nessas coisas.
          O que eu digo é que compreendo, ou penso compreender todos os pedaços da alma dele, porque é a minha também. Agora sim, eu alucino. Gosto de imaginar que uma parte dos atómos dele estão em mim, eu sou sua poeira, seus restos. Ou melhor, eu tenho pedaços dele em mim, o mesmo modo de ver a vida, talvez, só que não cometo os mesmos erros. Não que eu seja a versão melhorada, é que eu aprendi, sabe. E ele não teve esse tempo certo, esse timing, extrapolou.
          De qualquer forma, eu o amo mesmo, e nem me importa que não seja recíproco. Não é a primeira nem última vez que vou dedicar meu afeto para coisas que não o devolverão. Triste ? Eu, sinceramente, não acho.