qualquer coisa grite meu nome:

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

ér

- E Charles Manson não é o único assassino - eu disse.
- Não. Não mesmo. Pelo menos ele os matava diretamente, não é como esses crápulas, que nos matam aos poucos e de longe - ela retrucou.
- Os impostos, o governo, a impotência e a lei seca ?
- Exato.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

anti-suastique, anti-nazi.

Milhares. Milhares de pessoas.

Passeata política, protesto capitalista.

Centenas de corpos amontoados,

naqueles campos de refujiados.

Criação dos malditos, os nazistas.

A guerra vermelha, a profunda garganta.

Millhares de centenas de mortes, um genocídio.

Não há intervenção, não há mão santa.

Deus é, na verdade, militarista.

Alemanha.

Doce Alemanha, nadando em banha.

Bomba. Poeira. Ambulância. Gritos.

Brada Alemanha. Jesus não tem ouvidos.

Porque ele morreu e ressussitou um Hitler.

Heil Führer.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

merry xmas and anything else

Sempre sofro bloqueios na noite de natal. Porque é extremamente difícil pra mim aturar as máscaras. A mesa orquestrada, os vinhos, champagnes e toda sorte de bebidas anestesiantes. Porque não podemos simplesmente abraçar-nos em silêncio ? É realmente necessário todo esse brilho, essa coisa forçada, produzida ? Entretanto, de que me serve somente reclamar ? Seria hipocrisia da minha parte dizer que não gosto das luzes, dos embrulhos (acho quase uma arte saber combinar aquelas cores, laminados e laços), e dos presentes. Sim, dos presentes também. Mas não montes deles, não coisas que não usarei, não coisas caras, somente pelo status, pelo valor monetário que representam. Um livro, um cd, talvez uma xícara da Monroe. A verdade é que, pelo menos aqui em casa, aos poucos eu mudo a cabeça de todo mundo. Aos poucos deixamos a presepada de lado e nos concentramos no mais importante: amor e risadas.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

pure literature.

Vou me formar em literatura, mas vou ser autoditada. Vou perseguir os homens das penas e das máquinas de escrever, porque não tenho fervor pela atualidade. Quero morrer enterrada em papel pardo e grafite gasto. Quero a companhia de Bukowskis, Faustinos, Byrons, Huxleys, Wildes e Poes... São tantos os homens de minha vida, e todas as noites os convido a passear na minha cama. Na minha mente. Pode-se dizer que armei uma farsa, para vender minha alma aos livros. Meu destino é exato e conhecido: um epílogo lamuriento e melancólico. Um final quase que brilhantemente conduzido. Um parágrafo final desgarrado de auto compaixão.

jealousy

Tudo nessa vida se resume à ciúmes e possessão. Você tem uma bela amiga, uma mulher incrível que, além de bonita, te faz rir. Você acha que deve, que pode, se apaixonar por essa, que é tão inocentemente parceira. Que jamais teve ciúmes de você. O problema é que as mulheres, sabe-se lá porque, dividem as coisas em categorias estranhas. Amigos, namorados, homens para transar, etc, etc. E a partir do momento que você se torna o objeto de paixão, é quase certo que ela vai estragar tudo, com o terrível ciúme. Eu não. Eu não divido nada em categorias, eu sempre mostro absolutamente tudo que sou, ou que posso vir a ser. Eu jogo limpo.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Por ter vivido tanto tempo do seu lado, ouso dizer que te conheço muito bem. E mais, que todos nós voltamos às nossas casas, cedo ou tarde.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

de Darwin ao cansaço mental.

Wikipedia. D-A-R-W-I-N. Evolução. Ilhas, beagles, navios, países, animais, teorias, primas. Youtube. Espanhol. Traduzir. Windows Movie Maker. Travou tudo.

A síntese de um trabalho sacal, o meu cansaço mental. HAHA (?)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

eu e eu.

Meus ícones de quando criança agora estão todos destruídos. E isso me faz sentir de novo aquela velha tristeza: quando é que eu vou me destruir ?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

dear aunt iries.

Você não precisa falar assim com ninguém. Isso é certo e bem sabido. Creio que sua prepotência se transmutou de bichinho bem educado a monstro faminto. Não é seu tom de voz agressivo que vai abrir caminhos. Na verdade, como eu sempre suspeitei, ele te cativa milhares de desafetos. Se cada vez que você se sentisse irritada, caísse um pedaço do seu corpo, agora nada mais restaria aí dentro. Aliás, sinto que é exatamente isso que se sucede. Mas você ainda não percebeu. Uma lástima.

pequeno ser híbrido.

Ele passou quase todo o dia me jogando indiretas. Aliás, são tão indiretas que alguém deveria me dar créditos por percebê-las. Sempre me atraio pelos psicóticos em potencial, e dessa vez não seria diferente. Mas sei lá, vindo dele, aqueles abraços, perguntas, cutucadas, mordidas, aquela vontade de cuidar de mim, de passar os dias comigo, de dormir na minha casa... É óbvio que ele me quer. E o mais estranho é que eu acho que o quero também. Tenso. Admirável. Casal de esquisitos. Não somos lindos?

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

come along with me'

Eu não sou um brinquedo. Não sou interativa. Não sou um gatinho indefeso. Eu mordo.
Nem sempre tô a fim de papo, às vezes prefiro um livro.
Eu posso ser anti-social, descrente convicta, misantropa e niilista. Mas cara, só pra confundir minha própria cabeça, também sou carente afetiva, desprovida de segurança amorosa, e tola. Uma grande tola.
Creio que viver ao meu lado seja insuportável... para os chatos e acomodados.

Ham On Rye, Bukowski, pág. 241


A cafeteira Clifton era bacana. Se você não tivesse muito dinheiro, deixavam você pagar com o que tivesse. E se você não tinha um puto sequer, não precisava nem pagar. Alguns dos vagabundos iam até lá e comiam bem. O dono do lugar era um velho rico e bondoso, uma pessoa fora do comum. Eu jamais ia lá para me encher de comida. Ia para um café, um pedaço de torta de maçã pelos quais pagava uma moeda de níquel. Às vezes eu pegava uns cachorros-quentes. Lá dentro era quieto, agradável e limpo. Havia uma enorme fonte d'água e você podia sentar junto à ela e imaginar que tudo estava bem. A Philippe's também era bacana. Por três centavos você conseguia uma xícara de café com quantas reposições quisesse. Você podia ficar o dia inteiro por lá tomando café, e eles nunca pediam que você se retirasse. Independentemente de sua aparência. Apenas pediam aos vagabundos que não entrassem com seus vinhos e não bebessem lá dentro. Lugares como esses davam a você um pouco de esperança quando não havia nenhuma ao seu redor.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

quotes.

"É difícil fazer um homem compreender algo quando seu salário depende, acima de tudo, que não o compreenda."
- Upton Sinclair

"Nossos professores americanos gostam de sua literatura limpa e gelada e pura e bastante morta."
- Sinclair Lewis

suicidas em preto e branco.

Keith Richards, Leila Diniz e Paul McCartney.

Gosto deveras daquelas imagens em preto em branco. Homens e mulheres que seguravam entre os dedos o cigarro fumegante, absorvendo a fumaça que subia anelada. Sorridentes, algumas vezes até, mas na maior parte delas reflexivos. Como se pudessem prever para onde a boêmia os levaria. Perscrutavam o horizonte, ressabidos, o semblante fechado. Podiam ver o nefasto futuro que se aproximava. Meus suicidas em preto e branco mataram a leveza do meu ser. Levaram-me junto com eles à reflexão nostálgica. Fizeram de mim um fantasma vivo.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Eu acredito no deus baco, ato segundo.



"So god is bad? No. God is an illusion."

Eu acredito no deus baco, ato primeiro.


Dei uma enorme talagada. Julgava ser capaz de drenar o canecão de uma só vez. Não importava que fossem quase 500 ml de puro vinho, já tinha feito isso antes, com água, e não poderia ser diferente... Engasguei-me e cuspi tudo que tinha na boca, exausto, derrotado.
- Merda!
O vinho ricochetou no chão de linóleo, manchando a madeira, criando imagens subjetivas, alucinantes. Criando hieróglifos em homenagem ao meu primeiro trago. Sabia que era só uma questão de tempo, de hábito, de prática. Muita prática, todos os dias. Logo secaria barris e barris de vinho. Logo, logo.

hugs

O melhor presente que você pode me dar é um abraço: ele é tamanho único, e você não vai se importar se eu quiser devolvê-lo.

to lolly (L


Elas eram amigas. Andavam juntas pela calçada, uma um pouco a frente da outra. Como se se protegessem. Eu não duvidava. Afinal, elas eram amigas mesmo. E não se pode duvidar da amizade.

must the show go on ?


Ouça Pink Floyd, desenhe prismas, escreva em conativa. Pinte as paredes do quarto, transgrida as suas próprias regras. Tenha bigode, barba e cabelo.

rent on


Escolha sua "vida". Escolha seu futuro. Escolha seu emprego. Escolha sua carreira. Escolha sua família. Escolha uma televisão enorme, um carro último tipo, celular e microondas. Escolha jóias, ternos de um tecido caro, viagens para Paris. Escolha tudo isso e tente imaginar-se feliz, entre todas essas coisas, num domingo de manhã. Eu não escolhi nada disso. Porque escolheria? Para ser igual à você? Eu escolhi viver...

domingo, 29 de novembro de 2009

my broken heart blues.

Eu quero fingir que não faz diferença, se você fala comigo ou não. Quero agir como se qualquer um pudesse tocar a minha mão, e me fazer sentir como sinto quando é você. Mas não é. Besteira minha achar que seria.

"dont want to be buried in this cemetary!"


Meu pai tem uma funerária. Verdade. Dessas funerárias decentes que organizam toda sorte de despedidas finais. E, dia desses, ele ficou com o velório de uma senhora que morreu de infarto. Durante o almoço. Morreu entre uma garfada de ravióli e uma folha de alface. Isso me fez pensar que a gente nunca, nunca sabe quando é o nosso último segundo vivos. Pode ser que ele chegue como um ultimato, sem que se tenha aproveitado tudo que a vida tinha pra dar. Pode ser que seja aguardado, às vezes até doente ou premeditado. Ou pode ser assim, inesperado. Vindo em meio ao cotidiano diário, sem nenhum tipo de aviso. É por isso que a melhor coisa que fazemos é aproveitar cada segundo, por mais clichê que isso pareça. Afinal, quem quer se arrepender depois de morto, entre uma garfada de ravióli e uma folha de alface?

people in motion.


Pare, pule e olhe lá fora. Tem tanta vida correndo saltitante, e o tempo é agora. Espreite com violência as pessoas na rua, elas sempre desviam o olhar. E aquele que não desvia é digno de importância. Porque sabe que as pessoas se conectam e criam vínculos assim, com uma piscada de olhos. Então não perca tempo, vá conhecer pessoas nas ruas. Vá.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

vocês.

Você sabe que algo é para sempre, quando sente que aquilo faz tanta parte do seu ser que não poderiam mais existir separados. Como amigos unidos por um cordão umbilical ideológico. Aqueles que aparecem de surpresa na sua casa e topam comer pipoca de microondas e brincar de cabra-cega. Como se fossemos todos ainda crianças pequenas. E no fundo ainda nem sabemos bem o que seremos amanhã. Só tem uma coisa que fica evidente nesses momentos: nos amamos, muito. E eu agadeço por tudo.

star fix


Eu ando por aí e deixo pra trás pegadas de Star Fix. Dessas que brilham no escuro, que são feitas de neon e ressoam um rock psicodélico. Minhas pegadas, na verdade, são como um eletrograma da minha alma plástica, que também me deixa cega. Acho que qualquer coisa que nosso corpo libere pelo mundo se torna atordoante. Tanto faz se são cabelos caídos, unhas roídas, lágrimas de um namoro corrompido, ou pegadas de star fix. Ninguém nasceu preparado pra asistir à própria degradação.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

não sou um só.


Oi, meu nome é calma e eu ganho a vida vivendo em paz. Uns me chamam simples e o que tenho me satisfaz. Porém às vezes sou variação entre a euforia e mesmo a depressão. Tudo que preciso é compreenssão, a vida nunca foi em vão.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

coitada de mim.

"Às vezes eu esqueço os acentos."

só porque você é parte de mim, afinal.



obrigada por seus conselhos, por me fazer viva a cada dia que passa. obrigada por cuidar de mim e me fazer esquecer meu comportamento auto-destrutivo. você é o único que me faz sentir merecedora de algo. eu te amo. demais.

sorry for bein' moody.

Faz muito tempo que eu não sigo em linha reta. Às vezes, também, me comporto como se eu pudesse ler as mentes ao meu redor, mesmo que no fundo elas sejam impenetráveis. Deus, se você existe, me perdoe por imaginar demais. Acontece que uma vida só, pra mim, não tem graça. Constantemente sinto como se precisasse escrever, dirigir e atuar milhares de cotidianos de uma vez só. Eu devo ter uma doença, dessas graves. Algum tipo de síndrome congênita que me cause espasmos reflexivos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Countrycore - Ramirez


Amigo, não se espante se a mesma música tocar outra vez.
Não muda tom nem letra, é o mesmo jeito de cantar, mas tudo bem.
É tão difícil de entender, ninguém se atreve a surpreender.
Sou diferente, quero ter cabelo grande e tocar banjo na TV.

[...]

Vai se enganando até cansar, tentando em vão se adequar.
E eu assumindo que o meu Beatle predileto é o Ringo Starr.

Mas vou gritar enfim, prefiro ser assim à ser igual a turma toda que faz tipo, mas não sabe ser feliz.

Lembre, quando precisar, que é bem melhor não se deixar levar.
A vida te deu liberdade pra escolher, e fazer dela o que bem entender.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

oi


Eu falo muito de mim, mas somente pra quem sabe ouvir.

domingo, 15 de novembro de 2009

Voodoo Child.


Vamos falar de Hendrix, vamos falar de música. Vamos falar de cabelos, vamos falar de ácido e guitarras. Vamos falar de quem realmente merece, de quem fez alguma coisa decente pela música.
Em tempos de ladys gagás e outras coisas medonhas, o melhor antídoto é a Drope Box. Não sei que graça os jovens de hoje vêem nessas bandas água com açúcar, e riffs e refrões risíveis. Não sei que espécie de bandeira querem erguer. E ainda ousam dizer que gaga arrasa na ousadia. Grandes coisas andar com as pernas de fora e o rosto coberto com veludo vermelho (cobre mesmo, minha filha, que vergonha ser você).
Eu queria ver se ela era capaz de distorcer o hino americano em plena guerra do Vietnã. E o que há de antipatriota nisso?
Nada, o hino ficou lindo.

beau


Me descculpe por tudo isso. Me desculpe por ter tentando, de todas as formas possiveis, controlar você. Por ter esquecido onde a gente costumava guardar os lápis de cor, e os papéis coloridos. Honestamente, eu acho que estava agindo como adulto. E me arrependo disso.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

R.E.M


Eu não acordei ainda. Julgo que hoje foi um dia tão bom, mas tão bom, que ainda sonho. Docemente em repouso entre as cobertas da minha cama, respirando o pó etéreo da embriaguez mecânica. Eis que mais tarde, quando eu finalmente levantar, não será amanhã. Será hoje mais uma vez. É assim que se passa a vida por aqui, olhando o horizonte, dia por dia, e o futuro afinal nunca chega.

love in there

A miss Moustache anda com o relógio adiantado três quartos de hora, parece-me que seus dias correm como areia entre os dedos. Aliás, não correm, competem entre si uma maratona. Hoje ela economiza na palavras, e simplesmente registra o amor pelos seus entes habitantes do passado. Os hippies, os twists, os beats, os anos 60.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

de que tribo és ?


Os melhores seres humanos que eu já conheci não tinham tribo alguma. Muito pelo contrário, pareciam irradiar sua luz num eterno transitar entre as tendências. As pessoas mais geniais que eu já vi passar em minha vida simplesmente não se encaixavam, brincavam de adicionar. Como se fossem peças de um lego de sangue e carne, esses seres jamais parariam em qualquer canto, jamais se acomodariam. Viam graça num eterno crossing-over de informações. Exatamente como eu gosto de dizer, inteligente é aquele que se adapta e tem a mente aberta, e nunca, nunca teme uma mudança. Inteligente é aquele que vive livre de qualquer convicção.

dalí.

Se a miss Moustache fosse escolher a dedo um pai de pêlos, por decerto este haveria de ser Salvador Dalí. Além de um excelentíssimo e bem arquitetado bigode de pontas finas e delgadas, Dalí também tinha o dom do pincel (e que gracinha, pincéis são feitos de pêlos). Coisa que a miss Moustache não simplesmente admira, mas também tenta absorver como se fosse o ar e a água que a cercam. Dalí era um cara genial, com todas as peculiaridades e excentricidades de um cara genial. E talvez por isso o amor da miss Moustache seja tão gritante. Psicodélico. Vibrante. Uma obra-prima surreal.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

land-in.


Já fui cowboy. Daqueles que usam esporas niqueladas, e açoitam seus cavalos contra a noite. Que carregam um rifle Winchester, e fogem dos que têm a pele vermelha, por causa dos seus loucos rituais e do hábito de serem canibais.
Já fui gangster. Assaltando bancos e apostando vidas. Empunhando minhas Tommy Guns, abrindo crateras no governo americano. Inimigo público, freqüentando bordéis e ganhando os corações de garotas louras, loucas e lindas.
Já fui pirata. De perna-de-pau, gancho na mão e papagaio no ombro. Comendo bananas em ilhas do Caribe, e bebendo rum até o sol raiar. Roubando, saqueando, pilhando cidades inteiras, e fugindo para a imensidão negra do mar.
Já tive muitas fantasias, inventadas na hora, ou não. Já brinquei de ser mais do que apenas eu, e não pretendo parar agora. Ainda não...

heathcliff

A miss Moustache acredita, do fundo do seu coração grayscale, que Heathcliff não era um cara inteiramente mal. Está certo, e comprovado, que a maldade e a vingança não levam a lugar algum. Que o ódio e a amargura matam. Lentamente ainda por cima, a pior forma de morrer. Mas Heathcliff não fez de propósito. Ou talvez tenha feito, mas de certa forma a culpa não é toda dele.
Se você já leu “O morro dos ventos uivantes”, sabe do que a miss Moustache está falando. Se não leu, deveria desligar esse computador agora, e procurar urgentemente uma biblioteca. Se há algo que a miss Moustache não suporta, é falta de cultura. Aí, nem tendo a barba mais linda do planeta meu amigo, ela não vai gostar de você. Não mesmo.
Agora, voltando aos nossos amigos da época vitoriana, dizer que Heathcliff é o único vilão daquela história é negar o óbvio: em histórias de amor não existem mocinhos ou bandidos. Em histórias de amor somos como um só. Em histórias de amor, tanto faz se você é Heathcliff ou Linton ou Cathy, é preciso ouvir seu coração, sempre. Quando se cala o coração, se consente com a dor e a infelicidade. Ignorar os sentimentos é convidar a amargura a fazer estadia permanente dentro de nós. E aí não se pode culpar Heathcliff, ninguém quis ouvir o coração dele.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009




Tem dias que a gente acorda pra dentro. São dias de melancolia e choro reprimido. Dias de ver o mundo passar e nos deixar pra trás. De ver a idade chegar, com gosto de sal e sangue. São dias desses de tédio e água garganta abaixo, que é pra ver se a gente afoga a mágoa. Que é pra ver se a gente se livra da melancolia concentrada.

sábado, 24 de outubro de 2009

c o l o r f u l l b a l l o o n s .



George chegou por último naquele dia, e segurava balões coloridos que ninguém esperava o ver segurar. Os balões contrastavam gritantemente com a cor laranja de seu terno. Mas o que é isso? Paul se perguntava, meio sem saber o que o amigo faria com aquela procissão vibrante. Ringo, entretanto, foi o primeiro a esboçar uma reação física. Sorriu, ensimesmado, como quem dizia: Só podia ser você.
- Aniversário de alguém? - o baterista perguntou, pondo as mãos nos bolsos, e tirando uma carteira de marlboros de lá.
George foi pego de surpresa.
- Não! Eu só passei pelo parque, e vi um cara vendendo isso... Ele me pareceu tão infeliz que eu tive que comprar todos, para que ele pudesse ir mais cedo para casa. - Ele olhou os balões, parcialmente hipnotizado pelas cores. - E depois eu não consegui me livrar deles. É que são tão bonitos...Paul meneou a cabeça, compreendendo. Mas ainda assim não pode conter o riso. Sua gargalhada logo foi acompanhada pro Ringo e George. E então os três perceberam um flash, fotos... Eternizando aquele momento de balões coloridos e sorrisos caricatos, para sempre.

homem quase.

O homem não tem nome.
A alma do homem não respira.
Os pulmões do homem são opacos.
E sua mente não é mais colorida.
O homem não tem vida, mesmo que se mova.
O homem respeita a inércia e come o lixo que a chuva varre.
O homem esqueceu o sol, o raio e o fogo.
O homem não lembra o nome do jogo.
O homem não sabe o que é amor.



domingo, 18 de outubro de 2009

share the shelter of your bed.

Hoje foi um dia bem diferente de todos, carregado de risadas doces, e um pouco de tontura alcoolicamente induzida rs E teve até tempo de sentir uma certo ressentimento, e de me arrepender disso, profundamente, logo depois. Deu pra ver Little Miss Sunshine e comemorar quando toda a família Hoover dançou junta no final. E deu tempo de sentir a alma mais leve porque o Dwayne é lindo *-* E o Jim Morrison, e o Keith Richards também. E então aqui estou eu, falando neles de novo rs

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

cloud 9

just imagine you are a cloud,
so you pass by me and i kiss you.
then you, a toughtful cloud,
reflect about life and
discover you don't exist at all.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

meu velho pôster esfarrapado (revisited)


♫♪♫♪
One, Two, Three, Four.

We´re Sergeant Pepper´s Lonely Hearts Club Band,
we hope you have enjoyed the show.
Sergeant Pepper´s Lonely Hearts Club Band
we´re sorry but it´s time to go.
Sergeant Pepper´s Lonely,
Sergeant Pepper´s Lonely
Sergeant Pepper´s Lonely
Hearts Club Band.
We´d like to thank you once again
it´s getting very near the end.
Sergeant Pepper´s Lonely,
Sergeant Pepper´s Lonely,
Sergeant Pepper´s Lonely,
Hearts Club Band.
♫♪♫♪

a new planet rises.

Ela acordou naquela manhã sentindo, de um modo estranho e inexplicável, que o mundo inteiro estava três centímetros mais profundo. Como se as músicas, os livros, os ícones, as bandas e os anos 60 agora não fossem apenas e somente parte dela. Como se todo o resto do planeta fosse uma esponja bem grande, mas tão grande, que absorvesse tudo que um dia constituíra a sua alma... E, por causa daquela constatação tão densa, mexeu demais a cabeça, percebendo que aquilo era impossível, que só podia ser um sonho, que era bom demais pra ser verdade... Foi então que ela percebeu que ainda não havia acordado pra valer.

enjoy the show.


Eu fazia o mesmo caminho de sempre, voltando da escola, quando vi um pôster do Sgt Pepper’s, encostado na calçada. Era um papel bem ferrado, muito velho, marcado de sol e traças, faltando uns pedaços, inclusive as ilustres cabeças de Ringo, George e Paul. Mas quem precisa disso quando se é fã dos Beatles? Se há uma coisa que eu sempre exercitei ouvindo os caras é minha imaginação. Então eu trouxe aquilo pra casa, tratei de recortar tudo que podia ser reutilizado, e fiz uma colagem linda, linda. É assim que são as coisas, a graça reside em ver o bonito em tudo aquilo que o resto do mundo acha feio e inútil.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

BlackBird.


Quando eu era um apenas garoto inocente, morava com minha avó na reserva indígena. Ela era a curandeira de lá, e às vezes eu tinha que acompanhá-la quando ia fazer aqueles rituais estranhos. Eu não acreditava muito nas coisas que ela me dizia que fazia, especialmente porque eu sempre ficava de fora. Ela não me deixava entrar, dizia que os espíritos mais antigos cobiçavam uma alma pura como a minha. Eu ainda não acreditava em nada disso, mesmo criança eu já sentia que era capaz de matar, eu sabia que havia algo muito errado dentro de mim. Mas talvez fosse exatamente isso que os espíritos da vovó cobiçassem, e ela jamais me diria a verdade, ainda tentava me proteger. Um dia, a tarde já ia longe, o sol se pondo, lançando aquele brilho sinistro na terra vermelha, ela olhou pra mim e me perguntou, com a voz um tanto quanto rouca:
- Você quer se transformar em uma coruja Alexander? Você sabe que eu consigo fazer isso.
Até hoje eu não sei de onde ela tirou aquela idéia. Eu realmente me perguntava que pássaro eu gostaria de ser, e sabe lá deus como ela pode me ouvir. Mas eu jamais seria uma coruja, essa história de ficar parado só observando, essa coisa de sabedoria ancestral, aquilo não me apetecia.
- Não vó, eu preferia ser um pássaro preto.
Ela suspirou triste. Acho que desde então minha avó já sabia as coisas que eu faria quando fosse mais velho. Acho também que foi a partir daquele dia que eu passei a acreditar nas coisas que ela fazia. E tenho certeza que foi naquele momento que os seus espíritos velhos finalmente conseguiram aquilo que tanto cobiçavam: minha alma.

domingo, 11 de outubro de 2009

ivre.

Deixa eu te contar uma coisa coração. Não é todo mundo que merece você, então trate de se desapaixonar. Trate de esquecê-lo. Enquanto é tempo.

sábado, 10 de outubro de 2009

l e t i t b e .

Não sei por que cargas d’água eu quis ter um blog, um pedaço de mim que eu dilacero, destilo e distribuo no mundo. Não sei que alma desencarnada me sussurrou a idéia de construir uma trama de cicuta, palavras cobertas de velharia e cantores mortos. Não sei mesmo, mas até que gosto daqui. Enquanto eu não souber maneira melhor de gritar essas coisas por aí, as escreverei nesse limbo. Alguém já disse que tudo que se escreve, fica. Quem sabe um dia, daqui a 50 anos, alguém não acha meus textos? Como se acham pequenos tesouros enterrados na areia da praia. E faz das minhas idéias um mantra de vida. Gosto da idéia de um texto que salva a vida de alguém. Gosto da idéia de alguém que vive um pouco mais, porque se identificou. Gosto da idéia de não tentar o suicídio.

as if i were jim morrison.

"As pessoas dizem que não sou santo, e talvez eu não seja mesmo. Não, eu realmente não sou santo, mas quem disse que é assim que deve ser? Quem foi que disse que a vida é feita de castidade e pureza? Quem foi que disse que eu quero um halo em volta da minha cabeça? As únicas curvas que almejo são as do corpo de uma bela mulher, e o gargalo da garrafa na minha garganta."

sweet child o' mine.

Ele veio andando até mim, a barra do pijama arrastando no chão de madeira, os cachos crescendo meio rebeldes pra todos os lados, e era lindo. Não se importou em chamar a minha atenção, mesmo que atrapalhasse meu trabalho, e nem eu me importava.

- Eu quero dormir, mãe.

Ele disse isso assim, como quem não quer nada, como se fosse uma declaração qualquer, e estava feliz, estava agitado, estava alegre. Eu tive que sorrir, ele era tão parecido comigo que eu achei que podia doer, ele era parte de mim.

- Então durma meu amor.

-Mas eu não consigo.

- Ah, mamãe dá um jeito.

Eu o levei até a cozinha e esquentei um copo de leite, então fomos escovar aqueles dentinhos tão pequenos, e eu me perguntava como seria quando ele fosse maior do que eu. Como eu faria pra esquentar um copo de leite pra alguém que não precisava mais? Mas ainda não era hora de se preocupar com isso. Eu o coloquei na cama, ele me perguntou pelo pai.

- Ele já vem, meu bem. Tá trabalhando, você sabe.

Beijei a ponta do seu nariz, e em cinco minutos ele dormia. Meu anjinho Bernardo.

honey pie.

Você não muda, eu não mudo. Mas nada está igual, por quê? É tão sutil que não se percebe, mas daqui a 5 anos não seremos mais os mesmos, não. Mas você não muda, não é? Você não muda, e eu não mudo. O que mudou foi o mundo. Uma pena. Eu queria poder, um dia, olhar pra nós dois e dizer que somos os mesmos de sempre, mas já não somos mais. Talvez, se tivermos sorte, possamos mudar juntos, e nosso amor será a única coisa que permanecerá. Talvez.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

to get me outta here.

Quando nós todos éramos mais jovens, a vida realmente parecia mais fácil. Bastava pôr um bom LP naquela vitrola no canto da sala, e você podia sentir o groove encorpando o ambiente, na mesma hora. Não importava o quão indomável você fosse fora de casa, os pais ainda eram aqueles que paravam toda e qualquer situação absurda, porque estavam presentes e podiam ver no que você ia dar.

Quando eu andava pelas ruas, não via ninguém com armas, ameaçando os que passavam. Não que não houvesse violência, mas pelo menos parecia que existia respeito. E sempre se podia contar com os policiais, eram autoridade e estavam limpos.

Hoje em dia tudo está cinza e perdido. Parece que a modernidade nos tornou individualistas e competitivos demais. E aqueles que ainda estão presos ao passado simplesmente não conseguem viver em paz. Porque não entendemos e não queremos aceitar o que houve com nosso paradiso.

Onde foram parar aqueles dias longos de sol amarelo e Beatles cantados entre amigos? Onde?

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

O V N I .

Acredita-se em extraterrestres. Eles tomam cereais com leite e pão quente no café da manhã. Têm um par de mãos, e vêm em todos os formatos, altura e cores possíveis nesse universo infinito. São criaturas benignas e amáveis, com uma tendência ao altruísmo puro. Graças à NASA, escutam Across The Universe, e, com sua inteligência matemática avançada, reproduziram algumas vertentes semelhantes ao psicodelismo. Também gostam de ler, especialmente obras de conteúdo Beat. Acreditam na teoria da relatividade, e se assombram com o fato de um terráqueo disléxico, simplório, ter chegado muito, muito perto de decodificá-la por inteiro. Aliás, o único tabu que corre pelas rodas de lá de fora é a existência da humanidade. Alguns insistem que Einstein e os Beatles são invenções do governo, mídia. Outros acreditam piamente na força dos humanos. E quanto à mim, vocês se perguntam ? Bem, eu ainda estou dividida.

drowse.


Faço das palavras do Queen minhas palavras.

Já que tudo que eles dizem é como ouro pra mim.

É a minha banda. Minha mesmo.





"Meu corpo está doendo, mas eu não consigo gritar.

E meus sonhos são a única companhia que eu tenho."

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

caninis polanski

Se você mora dentro de uma caixa preta, nada se desenvolve. Você tende a se curvar no espaço diminuto da sua consciência. É assim que funcionam as mentes pequenas e os músculos atrofiados. Os atletas enervados e os maníacos assassinos do parque, qualquer parque. Não sei, eu acho que queria falar do gene psicopata, porque eu sei como é tê-lo, é algo que bem me cabe. Mas hoje não, hoje eu tô preocupada demais, cansada demais, estressada demais e com saudades dos toques fantasmas dele. Sabem o quê mais? Eu queria saber porque Roman Polanski fez aquilo. Enganou a todos nós com a pele de cordeiro vítima, e no final ele era o lobo de Sodoma. O lobo de Sodoma e solto por aí. Mas depois eu falo disso, também. Quando for pra falar do gene psicopata, porque é algo que bem cabe, tem tudo a ver com lobos.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

rock out, sugar.


~mais e mais, gosto de me imaginar como uma reencarnação de um rockstar frustado. sou um pouco james, e um pouco raymond, é.

domingo, 27 de setembro de 2009

spanish caravan

Leve-me caravana, leve-me embora. Leve-me para Portugal, leve-me para Espanha. Para Andaluzia e seus campos cheios de grão. Eu tenho que ver você de novo, e de novo. Leve-me embora, caravana espanhola. Sim, eu sei que você pode. Os ventos da navegação encontram galeões perdidos no fundo do mar. E eu sei onde a riqueza está me esperando. Prata e ouro nas montanhas da Espanha. Eu tenho que ver você de novo, e de novo. Leve-me, caravana espanhola. Sim, eu sei que você pode.

~ Caravana espanhola, leve-me para ver Jim Morrison, e eu não me importo em voltar para casa.

Escarpada Abaixo.

Não dava pra acreditar que aquela voz rouca que ecoava por sobre o mar era a minha voz. Decerto havia acontecido algo entre sexta-feira e hoje, algo que eu não lembrava ou não havia notado, porque eu tinha certeza que eu nunca fora assim antes. Sentia-me fisicamente estranho, mesmo que aparentemente eu fosse o mesmo corpo franzino, pálido e macilento de sempre. Mas não havia nada, nada ali, exceto a porra do medo.
E por que diabos eu sentia aquela paranóia crescente dentro do meu peito? Parecia que a qualquer minuto meu coração ia romper com tudo ali dentro, me rasgando e finalmente me levando sabe deus pra onde. Eu tentava imaginar se a morte era mesmo tão ruim quanto mamãe dizia ser. Mas eu sabia que não era. Porque quando eu matei George, alguns dias atrás, simplesmente pareceu tão natural e inofensivo, como matar uma formiga açucareira. Céus, se a morte fosse mesmo toda aquela merda de brutalidade e não sei o quê, que a igreja de mamãe pregava, com certeza George ou a alma dele, ou o que quer que fosse, teria voltado pra me atormentar.
Mas tudo estava exatamente como era. Eu ainda passava minhas tardes sentindo o sol fustigar
minha face, no penhasco à beira-mar. Era um lugar legal, aquele cheiro todo de oceano me lembrava que sempre tinha algo maior, um lugar maior pra onde fugir. Mas espere aí, um alarme soou na minha cabeça. Eu de fato me sentia estranho não era mesmo? Sentia aquela merda de medo o tempo inteiro, e aquela sensação estranha de estar sendo observado. O que era uma enorme besteira, porque somente George sabia que eu gostava de subir ali. E lá estava eu pensando em George de novo, que bosta. Ele agora era um corpo, um cadáver, meu esqueleto no armário, e se eu quisesse recobrar um pouco de sanidade, eu tinha que esquecer que um dia amei aquele grande filho da puta. E então eu ouvi aquilo, logo atrás de mim.

- Oi Dick.

A voz era estranha, oca, tenebrosa. E ainda assim, estranhamente familiar, como os sinos da voz doce de George. Ele havia sido cantor de blues, sabe ? E eu tive que me virar, mesmo que eu soubesse, instintivamente, que tudo que mamãe dizia era verdade. Ele tinha mesmo voltado pra me pegar. Mas eu não me incomodei com isso, não mesmo. Nem quando eu senti aquela força descomunal me empurrado vertiginosamente, metros escarpada abaixo. Nem quando eu pressenti que logo, logo, seria uma enorme massa vermelha e salgada, comida de peixes. Pelo menos agora, eu pensava, não sentirei mais medo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

come enjoy us: los paranoias.

Eu achava que ninguém jamais entenderia tudo aquilo, e por mim tava tudo certo. Era mesmo um atulhado de merda, desse tipo que atravessa a mente desocupada dos jovens, numa terça-feira monótona com aulas de física; dos bêbados e dos aposentados, entre a sopa e o telejornal. Um monte de dúvidas existencialistas sem justificativa, e pouco importava.

Na verdade, eu agradecia pelas noites maravilhosas em que as porras dos tiras corriam atrás de nós, porque um vizinho bisbilhoteiro nos vira pulando os muros da casa, na calada da noite, e ligara para a central. Aquela urgência de se safar limpava minha mente de tudo o mais que havia ali. Era óbvio que eu amava ser dominado pelo instinto de sobrevivência. Eu entendia que era capaz de qualquer coisa, e aquele poder era tudo.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A garota do 08.

Ele se escondeu embaixo da escada, e ficou ali, parado, só esperando. Mais cedo ou mais tarde, ele sabia, ela desceria por ali. E, sim, ele sentiria um prazer inconcebível somente por poder vê-la de relance. Esse era o problema de amar do jeito que ele a amava. Qualquer coisa que acontecesse era motivo de comemoração. Uma rápida troca de olhares, o odor de perfume oriental que escapava do quarto onde ela dormia, os livros que ela esquecia sobre a mesa da sala de estar, e que a senhoria esquecia-se de lhe devolver. Tudo que o fazia lembrar-se dela, chegava ao seu coração em forma de vibrantos. Ele era o que se podia chamar de melhor exemplo de amante platônico.

O dias mais felizes de sua vida, lembrava bem, foram ali, durante o verão passado. Ela gostava da estação do calor, deixava pra usar suas roupas mais leves, coloridas e juvenis naquela época. E céus, como ela poderia imaginar como aquilo o atormentava ? Às vezes ele tinha que fingir que não percebia o clima da sala mudar, quando ela entrava carregando os buquês que montava com as crianças da vila. Oras, o problema de se morar numa pousada como aquela, era que todos estavam aptos a perceber as suas menores nuances de humor. E ele certamente não desejava que ninguém soubesse o sentimento que nutria pela bela garota do quarto 08. Sentia um temor enorme que todos descobrissem aquilo tudo, que se aglomerava dentro do seu corpo. Achava que morreria, que aquilo tudo haveria de implodir, se ela soubesse o que se passava, e lhe dissesse que não. Que não o amava.
Era por isso que ele tinha que se contentar com poucos segundos, tinha de ser feliz como dava. Comendo a banda de maçã que ela deixava dentro da geladeira, ou roubando as flores que ela trazia pra dentro de casa. Lendo os livros que ela deixava soltos pelos corredores. Admirando, escondido, os trechos de músicas dos Beatles, que escapavam para o seu próprio quarto, com o abrir e fechar da porta do 08. Ou simplesmente vendo seus tornozelos de relance por entre o vão da escada. Como hoje. Como quando ela passou e ele pôde ver seus pés sujos de terra. Soube imediatamente que ela estivera lá fora, com as crianças de novo. E por uma razão que ninguém jamais compreenderia, nem mesmo ele, chorou ao perceber que seus pés estavam ali, tão perto e tão longe. Sujos de terra, mas limpos dos seus toque apaixonados. Ele chorou.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

sou um pedaço meio louco de você.

Hoje é aniversário do chicôzes, portanto ele não saiu da minha cabeça o dia todo. É, amar é isso ae, foda. Mandei mensagem, mandei depoimento, mandei ir se foder, mandei um beijo. Falei com ele, e disse o quanto eu o amo, e sou feliz porque posso falar essas coisas. Ele me compreende. Quero casar com você de verdade, então come and get me meu querido. Porque é isso ae, já sou sua, comemore, rs.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

nada.

.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

whole lotta love (♫♪)

"-Ah, desculpa Jimmy, foi a última vez que roubei sua namorada.
Robert obviamente mentia, e todos sabiam. Dava pra ver que ele cruzava os dedos atrás das costas. Mas ninguém ligava. Os zeppelin se amavam demais pra brigar por causa de mulheres."

when i was younger, i never needed anybody's help in anyway.

Hoje eu saí de sala e fiquei vendo as crianças no pátio da escola. Enquanto jogavam, eu não era nada, mas logo que a brincadeira acabou, me tornei objeto da atenção de algumas delas. Crianças são inocentes, não entendem o que alguém faz, tão quieto, tão parado. Com fones de ouvidos...
Eu também achava estranho aquele ser de outro mundo, quando era eu no pátio e um aluno velho a me olhar. Agora entendo que era saudade. De nós mesmos, de quando éramos crianças. Saudade de um tempo que passou rápido demais. Como se fossémos um irmão mais novo que ficou pra trás. Simplesmente saudade.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Sugar Honey and Baby Blue.

Stay cool, cos' i really love you, that's the true, my bijou, my baby blue (♫)

cometas.

Se minha teoria sore a humanidade está correta, dentro de mim moram milhares de pedaços de outros seres. Eu não sou só eu, sou centenas de átomos reaproveitados de tudo que um dia já morreu. Eu sou poeira estrelar, resto de cometas. Sou o universo, e ao mesmo tempo não sou ninguém. Eu sou espaços vazios. Seria egoísmo de minha parte fazer qualquer coisa pensando somente em mim, ou nos meus pais. É preciso pensar no mundo. Porque eu sou do mundo e o mundo sou eu e você.

O mundo, cara, o mundo.

domingo, 13 de setembro de 2009

percepção.

Respire fundo a melancolia concentrada. Olhe as luzes, observe o tempo definhando em todas as salas. O mundo olha pra trás e lamenta, porque mais um dia de energia inútil está gasto. Amantes excitados brigam, são um só. O homem solitário chora pelos amores que não tem, a mãe novata pega seu filho e o amamenta, mesmo sem saber ao certo como. Todos os idosos do mundo querem ser novos de novo. A esfera insesível que comanda a noite retira as cores de nossa visão. Vermelho é cinza, e amarelo é branco.
E nós é que decidimos o que é certo, e o que é uma ilusão.

have you ever seen the rain ?

Woodstock: Três dias (e uma manhã de segunda), cheios de paz e música. Amor e música. E um pouco de lama. E porque não mais música ? E chuva, muita chuva. Mas como é que não ia chover durante o woodstock ? A terra chorava sua felicidade por ver seus filhos todos juntos, cantando a paz. Clichê ? Não, é a verdade.

Woodstock, a terra da felicidade.




video

sábado, 12 de setembro de 2009

o bowie é meu.

O café que o tempo não esfria..

Donaldson Faithless Pickhunter, um funcionário público de Bristol, Avon, Inglaterra. Julgava morar sozinho há oito anos, após divorciar-se de Glaucia Megerah Greensburroughs. Mas, num surto de lucidez, horrorizado, descobre que a ex-esposa está em sua casa e que jamais saiu dela desde a separação.

Os dois discutem, se ofendem, brigam. Até que Donaldson, com uma capacidade de iniciativa invulgar para um niilista crônico, consegue convencê-la a ir embora para sempre de sua casa e de sua vida.

Donaldson, interiormente, chora por se sentir um idota desprezado. E conclui pra si mesmo que a vida não passa de um vale de lágrimas. Ele está sozinho na cozinha olhando para o relógio de parede. O tempo, pensa ele, é a única coisa que não podemos controlar.
Pela porta, ainda escancarada pela saída de Glaucia, entra, silenciosamente, Amanda Porsche, a veterinária de Vanessa, a gata siamesa de Donaldson. Ele ama Amanda. Mas Amanda sempre lhe disse que assim como ela esperaria por ele, ele devia esperar por ela, para que o tempo, no momento certo, os unisse. Donald respeitava isso por achar uma idéia muito bonitinha. Mas ficava puto da cara.

Com o olhar ao mesmo tempo compreensivo e severo, Amanda cumprimentou timidamente o consternado Donaldson. Numa seqüencia muda de atos mecânicos e tristes, ele prepara um café para ela. Os dois sentam à mesa. Donaldson não quer olhar para Amanda pois tem vergonha de demonstrar os olhos úmidos e o semblante sofrido. No fundo, ele se sente um otário. E ficam ali os dois, sem nada dizer, ouvindo apenas o tic-tac do relógio da cozinha.

Amanda Porsche quebra o silêncio e lhe diz com franqueza:

"Como tu é demorado, Donaldson... levou oito anos pra tirar a tua esposa de casa... e três anos pra arrumar a luz do banheiro... como conseguia viver assim ? Um abajur pendurado no teto, com o fio ligado na tomada... era bonito e exótico até... mas por demais preguiçoso, não acha ? Eu sei... eu sei que arrumar a fiação interna é um saco... mas enfim, você mesmo disse que o que molda o nosso destino não são os nossos atos: é a nossa preguiça... eu até usei esta frase no meu nick do msn."

"Tu, Amanda ? Dizendo que eu sou demorado ? Tu está há dois anos tomando café comigo... e esse café deve estar frio."
"Não, Donaldson... ele ainda está quente, eu te prometo."

Antônio Asdrubal (2009)

e agora ?

Casa da aline, comer. Casa da camila, vídeo do woodstock. E o futuro ? A deus pertencerá.
Provas de hoje, terríveis. Ping-Pong, animal *-*

E são oito meses de amor ?

;*

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

alice's adventures in the wonderland.

'But I don't want to go among mad people,' said Alice.

'Oh, you can't help that,' said the cat. 'We're all mad here.'


cordados osteítes.

tetela:
lembrei de você hoje, na aula de bio D:
sério ? *se sente importante*
tetela:
é. falávamos sobre amebas HAUHAIUHAHUHA -n você se acha meu bem, mas okei.;*
tetela:
nó, falamos sobre histologia, mas o professor comentou algo sobre os peixes ósseos (cordados osteítes), dae lembrei e pronto.

Minha mente perversa sempre faz ligações.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

E quando eu estiver triste, simplesmente me abrace. Quando eu estiver louco, subitamente se afaste. Quando eu estiver fogo, suavemente se encaixe. Mas quando eu estiver morto, suplico que não me mate, não, dentro de ti, dentro de ti ♫

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

meus queridos.


vocês são parte de mim, e eu sou parte de vocês, foda-se. metade mortos, metade velhos, todos cinco cansados, mas lindos, somos lindos, together.

my magic bus.

Eu consigo ficar mais tempo sem ar do que sem música, sério. Seja rolling stones, beatles ou o barulho do meu afeto rachando as paredes do meu coração. TUM TUM, os pés seguem o ritmo, obedientes e harmoniosos.

Gosto de faroestes, e woody allen, e roman polanski, ponto. Gosto do tim burton, de quentin tarantino e de stanley kubrick e lumet, ponto dois. Ttomei suco de laranja mecânica no café da manhã, e Alice me levou pro chá das cinco, com o Mad Max Hatter.

Não sustento conversas pés-no-chão por muito tempo, não consigo. Tenho que aliar temas de cimento e alguns flutuantes, e uma pitada de monomotores ideológicos. Canto com meus fones nos ouvidos, sim, e me sinto o próprio jim Morrison, e mesmo que eu desafine, por favor não me incomode. Não se acorda um sonâmbulo de seu sonho dos deuses.

Ainda não aprendi a nova regra ortográfica, então minha lingüiça ainda tem três pontos, e meu vôo tem acento (muito mais confortável rs), e eu amo metáforas e analogias, Nélson Rodrigues é meu anjo pornográfico. E eu adoro uma pornofonografia. Minhas paredes são mil retalhos coloridos, e um raio verde. Eu sou um pirata do mau, de gancho na mão e perna de pau (8)

E por enquanto adianto, estou em constante ato de metamorfosear.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

please, lomo me.

Céus, que alguém me dê uma câmera lomo no natal. Eu quero essa pequena caixa preta, que altera a percepção de mundo com um singelo piscar de obturador. Quero mesmo. E se eu pudesse, seria assim, teria esse super poder idiota. A maior parte das vezes, tudo que eu imagino fica preso no meu cérebro por décadas até, se perdendo depois entre fórmulas a decorar, chão pra varrer e todas essas obrigações bestas. Mas se eu fosse uma câmera lomo, bastava fechar e abrir os olhos e pronto. Verde é roxo, azul e amarelo são dourado com berloques vermelhos. Arabescos de purpurina, cetins diáfanos e peles de seda. Ia ser uma graça viver assim, com todo esse calor, essas cores vibrantes. Essas coisas que eu vejo o tempo inteiro dentro da minha mente conturbada, e que eu não consigo mostrar pra mais ninguém, porque eu não sou uma câmera lomo.

e então, um beijo ;*

echoes.

Não sei bem, acho que dormi demais e ainda tenho sono. Paul McCartney de novo ficou na minha mente o dia inteiro, assim como o Victor, que é meu representante mor do sir canhoto. Eu consigo amá-los mesmo com a distância. Devo ter tirado uma nota bem meia-boca nas provas de hoje, e amanhã, com certeza, o feito se repetirá. AH, A VIDA É LINDA *-*

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

pessoas e eu.

gosto de pessoas em pedacinhos.
olhos, orelhas, mãos. pés. costas.
tenho uma tara ensandecida por costas.
mas o que eu mais amo são as almas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

love.

"Ele e eu... Novamente usando palavras obcenas enquanto nos tocávamos e isso me atraia, me deixava perdido, sem rumo, mas certamente aquilo era certo. Era destino, nada de coincidência, era sim destino. Um destino bem correto. O melhor. O mais sério. Era aquilo que eu queria pra mim, pro resto da minha vida, eu podia não ser grande musico, podia não compor bem, podia tocar o rebu em casa, mas aquilo ninguém poderia me tirar. Meu momento feliz, entre beijos e mordidas. O sol brilharia na manhã seguinte se ele estivesse comigo e eu podia estar bêbado, drogado e seja lá o que fosse, eu ia ama-lo pra vida toda. Podia não ter uma música, mas nos amávamos mesmo sem trilha sonora. Ele arranhava minha cintura e isso me deixava alucinado. Ele era quase uma droga, me viciei em algo tão pequeno, porém tão grande. Entre pequenos gemidos ele dizia que me amava, sussurrava meu nome em meu ouvido pedindo pra eu nunca deixa-lo. Eu respondia com atos doces e dizia somente: Pra sempre."


ps: ô minha lucy, voce é uma gênia (L

vinho.

Somos garrafas de um bom vinho, esperando que chegue a nossa hora, anos amadurecidos. Anos perdidos entre as safras de uva, azedos. Somos garrafas de um bom vinho, damos dor de cabeça. Somos garrafas de um bom vinho, flutuamos. Somos garrafas de um bom vinho, depois que morre nosso interior, só sobra um corpo oco, e nossas rolhas, censurando-nos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

my atom heart.

Alguém, por favor, me traga um novo coração, esse anda falhando. A qualquer hora agora eu posso esquecer como é respirar, como é ser racional. De preferência, se vier junto um novo cérebro, eu agradeço. Seria uma delícia ter pensamentos menos confusos, ser mais normal. Um beijo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

meu amor

Hoje eu fiz besteira, e me desculpe. Nem eu nem você temos idade pra saber lidar com isso. Pra mim vai chegar o dia em que seremos um só, e pronto, feito mágica. Mas não pra minha mãe. Pra ela é intragável, impossível, me imaginar com alguém que não possa ser fiscalizado. E você não pode, 2.300 km longe de mim :/ Mas eu te amo tanto, de um jeito tão carnívoro e insaciável, que eu preciso que você saiba que eu dou conta, de tudo. Se for pra ficar com você. E por favor, não fque com raiva de mim. Quando você fica com raiva de mim, me dá vontade de chorar e me afogar em minhas lágrimas. Me ame ainda, por favor. Saiba que eu acredito em tudo. Saiba disso. (L

domingo, 30 de agosto de 2009

silly love story.

Hoje eu fui paul mccartney, simples. Acordei com suas covinhas e pronto.
Levantei, e o que vi não foram meus pés sobre o chão flutuante, vi os dele.
Hoje foi a primeira vez que eu me amei por inteiro.
Porque eu não era eu.
E quando eu acordar amanhã, ainda quero ser ele, paul.
Quero ver como se sai com a vida chata de uma garota de 16 anos e essas pressões do vestibular.
Vamos, amor? Vamos dormir ?

;*

G a b r i e l

Quem é esse garoto meio assim, desligado do mundo ?
Que compõe belas canções sobre o viver e ser amado.
Que gosta de dizer que não sente, que brinca de se sentir abandonado...
Quem é essa criatura psicótica que entre cortinas de cigarro, café e lsd
conseguiu me ver, e me tocar ?
Quem é você, que eu tanto amo ?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


Geralmente, quando me perguntam se eu fumei alguma erva do capeta, eu olho pro lado e rio, muito. E, em dez de dez vezes, ela está ali rindo comigo. Não sei se somos tipo almas gêmeas, erasmo e roberto, pão e manteiga, esses clichês do povão. Só sei que ela tem um jeito certo de viver sem pretensões, de me fazer rir, ou de falar frases que só a gente pode compreender, coisas que a convivência de quase uma década deu conta de acertar. Não sei, sinto que a gente já passou o limite da amizade há milênios. Acho que agora somos tipo sócias de uma vida inteira. É um casamento, mesmo. Um casamento de idéias e ideais. E eu amo essa cerva. Sério.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

faustino e seu querer morrer.

Um, dois, três, testando.
Meu computador tá um cu.
E eu acordei endiabrada.
E a gente viu Mário Faustino em literatura.
E eu acho que algum dos genes dele mora em mim.
O gene do querer morrer, só pode.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

trovão trovador.

Hoje eu saí pra dançar. Dancei o dia todo, uma balada meio country de compasso lento, uma dança triste. As botas que eu calçava eram de cimento e me puxavam para baixo. E era tudo que eu usava, porque essa dança, assim, meio cruel, meio selvagem, a gente sempre dança nu. Hoje eu dancei uma baladinha que contava a história do mundo, e cara, ela era velha, e nem um pouco bonita. Se fosse música cantada, os vocais me fariam chorar. Mas não era cantada, é vivida, e por isso mesmo eu chorei mais. Porque hoje eu dancei a canção derradeira, trovadoresca, a história da vida, a verdadeira síntese humana. E como ela não tinha final, eu me pergunto: onde vamos parar ?

a sósia.

"- Nossa, ela é bonita.
- Não diga isso, eu a odeio.
- Por que motivo ?
- Sabe quando você tem um jeito diferente de todos, e frequenta a mesma escola por anos, e as que se acham gostosonas riem de você ?
- Nossa, ela é feia."


Se metade do mundo fosse como você, eu seria tão feliz.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Licor.

Se amar é pecado, tu me dizes. Contrariando teu palpite... De que o nosso amor não tem solução. E eu te encontro nesta rua, despida e toda nua, como quem chorava em vão. E o que lhe digo, não mais importa, abra a porta e vá embora. Como quem passou e nem ficou. Se penso em você, tu me ignoras. Amor que é bom então vai embora. E quando passa das 6 horas, eu vou a tua porta. E tu me diz que não se importa, que nosso amor já se acabou. E você ainda me diz que não me quer ver feliz.E quando eu olho no teu rosto, vejo todo seu desgosto.E as lágrimas jorrando, feito poços, em olhos castanhos...

Já vou indo, não me demoro, e também digo que não me importo com o que aconteceu e passou...E a minha vida acabou, te enterro junto comigo, de braços dados, como amigos de uma canção trovadoresca...E você me beija, formosa, como uma gueixa...E quando eu olho nos teus olhos, tu diz que eu não me importo, que me amou em vão...E eu lhe repito, "ecstasiado”, com um gemido abafado, implorando teu amor...E você então me esquece, me joga fora como confetes, após o carnaval...E eu então morro, entre os colares de teu pescoço, por onde o sumo da maçã escorre...E eu me afogo nos teus beijos e entro em desespero, e começo a morrer...

Por favor, meu amor, beba desta canção como licor, fruto eterno que não apodreça...E além de tudo, não se esqueça, amor é o tudo que prevalece, entre os fracos mortos por esta canção...E você ainda diz que eu não me importo... O sangue do diabo escorre entre minhas mãos..E não tenho mais tempo, para esta canção...E finalizo matando, quem me amou em vão...O punhal aparece entre os meus dedos.E aos poucos eu enfio ele no teu peito.Como quem ama e sai frustrado, de uma paixão...E assim, termino esta canção.


ps: essa é dele, ele que fez. meu talentoso garoto.

that's for you, La Conscience.

Cansei de escrever muito sobre a minha tristeza, ela é infundada. Não tem porque ser tão triste assim. Ou, pelo menos, eu não tenho bons motivos. Então, dando graças por ser instável, hoje eu quero mais é figurar minha felicidade. Porque sim, eu sou triste, mas também sou feliz. E não é nem intercalando não, é tudo ao mesmo tempo. Meu estado emocional é dividido, em duas bandas podres: a eufórica e a lacônica. E eu nunca estou em equilíbrio. Ora sou leve e saltitante, ora peso pra densa depressão. Ou pinto as paredes do quarto com lápis coloridos, ou escrevo mantras de saudosismo em preto. Já me comparei a várias coisas, mas acho que "pêndulo em eterno ir e vir" é o que me cai melhor. A verdade é que o que me mata é isso: ou sou oito ou oitenta. Ou radiante, ou mordaz. Ou amo, ou odeio. Eu nunca consegui ser neutra. Só que hoje, meio assim de um jeito torto, hoje eu acordei feliz.

domingo, 23 de agosto de 2009

e você, o que vai querer fazer ?

Vai querer esquecer os dias de desalento chuvoso que deixou pra trás ? Ou vai usá-los para reconstruir caminhos ? Acho que o maior problema do futuro é que a gente nunca sabe o que fazer com o passado, onde acomodar as memórias. Onde vamos pôr toda a nossa carga existencial ? Como, céus, é possível consiliar tudo isso ? Acho que esse negócio de saber organizar a vida vai muito além dos meus limites. Eu meio que faço uma colagem de tudo, como as paredes do meu cérebro, e deixo acontecer. Caso acerte as proporções, ótimo. Terei uma obra prima pra viver. E o que acontece se eu errar ? Não sei, e vou ter que descobrir assim, sozinha.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009




Ando me irritando muito facilmente.



Com coisas que já são,


com algumas que não foram,


e com muitas que poderiam ser.



Ando renegando algumas obviedades,


só porque contradizem as


ilusões que temperam minha vida.



Não sei bem,


acho que nasci sem aquela coisa,


de se achar parte do mundo,


de se integrar.



É difícil, fato, mas eu sou assim.


Não há remédio.



Construí minha personalidade doente,


calcada em litros de melancolia e


toneladas de literatura boêmia.




Sou um ser feliz na tristeza.


Sou assim mesmo, quimera de sensações.

eu.

Eu ando odiando muito, quase tudo.

Especialmente filhinhos de papai, bloqueios criativos e o marasmo.

Mas o que eu mais odeio no mundo inteiro, é não ter tempo pra pôr tudo que penso em palavras, e neste blog.

Gosto daqui, é a melhor parte de mim.

É um grande vazio ter que me contentar com cinco linhas de desabafo.

um beijo.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

vejo nós dois assim, seguindo em frente.


Não quero nem tentar imaginar a dor que é perder alguém que se ama tanto, mas que nem se teve chance de tocar. Que nunca se viu. Perder alguém, assim, sem ter tido chance de começar. Não ter chance de realizar todos aqueles planos embalados em perfume, sonhos de noites mal-dormidas de tanto amor. Imaginar uma vida ao lado de alguém, mesmo ciente de todas as dificuldades, e de repente sentir que, apesar de tudo, não há meios, não há fim. Não tem chance pra nós dois, exceto nos meus sonhos.
Eu não quero ter que desistir de todas as coisas bobas que já imaginei, de seus toques de sarcasmo, da nossa parede colorida, feita a quatro mãos. Dos filhos que virão para nos ensinar o verdadeiro amor, para nos fazer compreender as nossas próprias falhas, e de todos os laços que eu já vi nascer entre nós. Não quero ter que levantar, daqui a 20 anos, e sentir o peso da sua presença comigo, como um futuro que eu poderia ter tido. Porque contigo eu quero ter, tudo.
Não posso deixar que a minha vontade de estar contigo, sempre, morra por causa de duas ou três grandes dificuldades, a gente passa por cima de tudo. Um dia, ainda, quero pôr minhas mãos na sua nuca, e te dizer o quanto admiro você por tudo. E te contar que eu descobri que essa tristeza, assim, meio serena, de não te ter por perto, me faz escrever melhor, amadurecer. Você me fez melhor, de todos os pontos de vista possíveis. Mesmo. E eu te amo.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Viva cada instante, viva cada momento,
Proteja da razão teu sentimento.
Tente ser feliz enquanto
A tristeza estiver distraída.
Conte comigo
A cada segundo dessa vida.
ps: canção para jade, toquinho.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

nights in white satin, never reaching the end ♫


Acordei já com a certeza de estar introspectiva o dia inteiro. Tentando ler as pessoas ao meu redor e transpor tudo para o papel, esse meu hábito irreprimível. Esquecendo de mim mesma nos lugares, pra notar todo o resto, plenamente. Ignorando as vozes que me puxavam de volta à realidade. Já acordei prevendo um dia de fones de ouvido, e blues temperamentais.
ps: moody blues; nights in white satin.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

a fairy called Artemisia Absinthium.


É este o problema com a bebida, pensei, enquanto me servia dum copo de absinto. Se acontece algo de mau, bebe-se para esquecer; se acontece algo de bom,bebe-se para celebrar, e se nada acontece, bebe-se para que aconteça qualquer coisa. Mas ainda acho muito melhor beber do que estar apaixonado. Porque as pessoas apaixonadas tornam-se muito suscetíveis, perigosas. Perdem o sentido da realidade. Perdem o sentido de humor. Tornam-se nervosas, psicóticas, chatas. Tornam-se, mesmo, assassinas.

Embriagam-se em outro líquido queimante que não absinto, ou licor, ou whisky, ou gim, ou vodka. E algumas delas também caem de porre, por simplesmente amar. Com esse minha mania metódica, me perguntei, qual é a diferença entre amar e beber ? Talvez porque o amor te traga de volta algo mais do que cirrose e morte precoce, saia ganhando no final. Pra mim tanto faz, aprendi a beber amando alguém. E ainda que pudessémos morrer lado a lado, gostaria que fosse com um último gole de conhaque, ou vodka, ou gim, ou meu tão fiel absinto verde de todos os dias.

Até porque, se tratando de sedução etílica, não tem perfume que me chame mais do que aquela fada verde, bonita. Farta de carnes e alvos os dentes, que vieram me beijar a têmpora dolorida. Essa fada absurda que me tira a dor de cabeça, e a tensão do corpo, que me relaxa e me desfaz em gozo. Esta mesma fada etérea e cor de esmeralda que me faz divagar numa mesa de bar, sobre bebidas e paixões mal resolvidas. Que me faz escrever contos e poemas sobre a vida sorvida em goles de absinto.

* inspirada em Charles Bukowski.

domingo, 16 de agosto de 2009

see emily play.


emily tenta, mas sempre entende mal, então ela pega emprestado os sonhos dos outros até amanhã. você vai pirar e brincar, com jogos de graça, vendo emily jogar. e logo depois que escurece, emily chora. olhando fixa entre as árvores, com tristeza, quase não se ouve um som até amanhã. não há outro dia, vamos tentar de outra forma, você vai pirar e brincar, com jogos de graça, vendo emily jogar. ponha um vestido que toque o chão, flutue num rio eternamente. Emily, Emily.

* see emily play / pink floyd

você tem que compreender, que as vezes estar com você, é como arrancar pouco a pouco a matéria que constitui meu corpo. que as vezes minhas convicções se esfacelam, perante a loucura que é gostar tanto de ti. você tem que perceber que sim, as vezes é fodido ser assim, tão submisso à um amor não realizado, que talvez seja um pouco mais pesado, só porque é você. mas de todas as formas, de todas as maneiras absurdas, como um auto-sacrifício, me sinto pronta pra dar, muito mais do que receber. não sei bem como pode, mas de fato acontece. e eu me sinto pulando de cabeça numa história louca, como se abrisse minha vidinha, já um tanto decrépita, a situações mais tensas ainda. mas é você, entende. é você. e por você, tudo que vier eu topo, tudo que vier vai bem. só peço que não jogue comigo, como se joga com cartas, ou como jogou com as outras amantes latinas. realmente, acho que te amo, de um jeito muito estranho pra alguém de 16 anos. acho que confio em ti, muito mais do que deveria, e por favor, me faça ser sua. para sempre. do jeito mais iludido e doce que se pode esperar.



ps: um dia será nossa foto ae, né q